Região
Publicada em 13/05/2017 - 18h46min

Fernanda Fernandes
Dia D

Vacinação contra a gripe ainda tem pouca adesão

Para atrair o maior público possível, algumas cidades da região disponibilizaram postos volantes em locais estratégicos

Foto: Erick Paiatto

Vacina protege contra as gripes H1N1, H3N2 e Influenza A e B, as mais frequentes
A procura por vacinas contra a gripe ainda está devagar na região, embora as campanhas tenham iniciado no mês passado. O Dia D, que ocorreu ontem em todas as unidades Básicas de Saúde (UBSs), conseguiu alcançar grande parte do público-alvo. Além disso, algumas cidades disponibilizaram postos volantes em pontos estratégicos para atrair a população. Em Suzano, quase 3 mil pessoas foram imunizadas só no período da manhã. Em Mogi das Cruzes, os postos também estavam movimentados, mas em Poá a adesão estava devagar até o meio-dia deste sábado.
Diante da baixa procura ao longo dos últimos dias, o secretário de Saúde de Mogi fez um apelo para que os munícipes se conscientizem sobre a importância da imunização, pois as doses protegem contra as gripes H1N1, H3N2 e Influenza A e B, as mais frequentes no Brasil. Estes são os vírus mais agressivos, porque causam a síndrome respiratória aguda grave, que atinge diretamente o pulmão, segundo explicou o chefe da pasta.
Os casos da doença estão sob controle na região, mas ainda assim Cusatis alerta para a importância de tomar as doses e se imunizar antes da chegada do inverno. "São vírus com alto poder de violência. Ele entra no corpo causando uma gripe forte e já invade o pulmão, além de ter uma capacidade de infecção muito grande", explicou. "Estamos com um índice baixo de cobertura. Os números são alarmantes: com relação às crianças de seis meses a menores de 2 anos, estamos apenas com 30% de cobertura; crianças de dois anos a menores de cinco, chegamos a 28%; gestantes foram 35%; já os trabalhadores da saúde, contamos com 79% de adesão, o maior índice, pois profissionais dessa área sabem o que é enfrentar uma epidemia de gripe. Os idosos foram 67% de cobertura, puérperas 50,46% e portadores de doenças crônicas 29%", detalhou, lembrando que a meta é alcançar 90% do público-alvo, que foi ampliado para os professores, policiais, bombeiros, profissionais da Defesa Civil, Correios, Poupatempo, Ministério Público, Procuradoria Geral e Defensoria Pública.
O secretário ainda lembrou que a vacina pode causar poucas reações, como dor no local da aplicação e febre muito baixa, mas que atingem um pequeno número pessoas. Sobre as doses causarem gripe, ele esclareceu que essa informação não passa de mito. "Não tem o vírus vivo nas doses. A vacina provoca o organismo a reagir e criar anticorpos contra a gripe sem gerar o sintoma". A cidade disponibilizou postos volantes no Mercado Municipal e no Clube de Campo.
Em Suzano, vários postos volantes foram espalhados pela cidade, inclusive na estação de trem, onde há grande circulação de pessoas. Até o meio-dia, 160 pessoas tinham parado para tomar a dose. Além disso, todas as UBSs abriram as portas para receber a população.
Em Poá, os postos visitados pela reportagem estavam vazios. Até a manhã de ontem, apenas 21 pessoas passaram pelo Cantinho do Idoso, que foi um dos pontos estratégicos do Dia D. Uma UBS no centro da cidade tinha recebido cerca de 50 pessoas no período da manhã. No entanto, até o período da tarde, 3,4 mil pessoas foram vacinadas.
 

Postos volantes atraem público para a campanha

Os postos volantes de vacinação contra a gripe foram um reforço para conscientizar as pessoas quanto à importância da imunização da doença que gerou uma epidemia no ano passado

Os postos volantes de vacinação contra a gripe foram um reforço para conscientizar as pessoas quanto à importância da imunização da doença que gerou uma epidemia no ano passado. Além das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a população pôde ter fácil acesso às doses, que foram disponibilizadas em pontos estratégicos, como estações de trem, praças e outros locais com grande circulação de pessoas em Suzano, Mogi das Cruzes, Poá e Ferraz de Vasconcelos.
O farmacêutico Ricardo Yto, 48 anos, é de Suzano, mas contou que os postos de saúde ficam distantes e, durante a semana, os horários de atendimento não coincidem com a sua disponibilidade. "Trabalho na área da Saúde e tenho contato com muitas pessoas. A vacina é importante porque não corro o risco de ficar resfriado e nem de passar a gripe", avaliou.
A ajudante geral Vânia Santana, 48, estava apenas de passagem pela estação de Suzano, mas o posto instalado no espaço chamou a sua atenção. "Como tenho diabetes, eu posso entrar no grupo prioritário. Aproveitei que estava passando por aqui e parei para tomar a dose também".
Em Mogi das Cruzes, o movimento começou logo pela manhã no Mercado Municipal, onde os agentes da Saúde ficaram à disposição para atender o público-alvo da campanha, como foi o caso do ajudante geral Carlos Cardoso de Moraes, 58. "Eu tomo a vacina todos os anos. Eu acho importante se prevenir", disse.
Em Poá, os postos visitados pela reportagem estavam vazios. Até a manhã de ontem, apenas 21 pessoas passaram pelo Cantinho do Idoso e cerca de 50 estiveram numa UBS no centro da cidade. (F.F.)

Pacientes de outras cidades sobrecarregam rede de Mogi

A rede pública de Saúde de Mogi das Cruzes também virou referência para moradores de outras cidades da região, que buscam atendimento no Pró-Criança e no Hospital Municipal, além de outras unidades

A rede pública de Saúde de Mogi das Cruzes também virou referência para moradores de outras cidades da região, que buscam atendimento no Pró-Criança e no Hospital Municipal, além de outras unidades. Cerca de 25% da demanda refere-se a pacientes de outros municípios, segundo os dados divulgados pelo secretário municipal de Saúde, Marcello Cusatis, que também lembrou da necessidade de aumentar o orçamento da pasta.
Apesar de o orçamento da Saúde de Mogi das Cruzes ser maior que o exigido por lei, o secretário destacou a necessidade de mais investimentos. "Colocamos mais um médico no Pró-Criança para dar conta do atendimento, que aumentou. Entendemos que as outras cidades têm dificuldade, temos essa sensibilidade, mas o mogiano começa a reclamar da fila", observou. "Estamos com um orçamento de 22%. Já é 7% a mais do que deveríamos gastar. Só que a média do Estado de São Paulo está em 28% e tem municípios que estão chegando a 35%. Estamos abaixo da média estadual e fazendo muito com o valor, pois buscamos a eficiência", revelou o chefe da pasta.
Cusatis deu como exemplo o plantão do dia 11 de maio e ainda lembrou que muitos pacientes com convênio médico usam a rede pública. "Nesta data fizemos 301 consultas médicas no Pró-Criança, das quais 12 pessoas declararam possuir convênio, 48 informaram que são de outros municípios. Tivemos três transferências para hospitais, e uma criança não é de Mogi, mas está internada no Hospital Municipal. E, apenas neste plantão, 20% da demanda não era para estar no Pró-Criança", revelou, lembrando que, ainda no Pró-Criança, cerca de 25% dos atendimentos feitos na urgência e emergência são de outros munícipes. (F.F.)
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