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Publicada em 15/07/2017 - 20h06min

Da Agência Estado
Crise

Emendas para base da CCJ somam R$ 141 mi

Dos parlamentares que barraram o parecer, 38 tiveram emendas liberadas desde junho

Foto: Divulgação

Deputado Paulo Abi-Ackel disse que seu voto não está ligado às emendas
Dos 40 deputados que votaram pela rejeição do parecer que recomendava a abertura de investigação contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, 38 tiveram R$ 141 milhões em emendas parlamentares empenhadas. Esse valor corresponde ao período entre junho, após a divulgação da delação do empresário Joesley Batista, que foi usada na denúncia contra Temer, e as duas primeiras semanas deste mês, às vésperas da votação.
Na quinta-feira, o colegiado barrou por 40 votos a 25 o parecer do relator Sergio Zveiter (PMDB-RJ) que recomendava a admissibilidade do pedido da Procuradoria-Geral da República para investigar Temer por corrupção passiva. Em seguida, governistas conseguiram aprovar um texto alternativo que sugere a rejeição do mesmo pedido, assinado pelo deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG).
Apenas dois dos 40 parlamentares que barraram o parecer de Zveiter não tiveram emendas liberadas desde junho: Elizeu Dionizio (PSDB-MS) e Maia Filho (PP-PI), que é suplente de outro parlamentar. Na bancada tucana, dos sete integrantes apenas dois foram a favor do governo - Abi-Ackel e Dionizio, que, segundo relatos, foi pressionado pelo governador de seu Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), a votar contra o parecer.
As emendas parlamentares são recursos destinados a deputados e senadores para que possam viabilizar obras e benfeitorias em seus redutos eleitorais. Cada parlamentar pode apresentar até 25 emendas individuais. O valor total previsto para este ano é de R$ 6,3 bilhões. Os 25 parlamentares que votaram contra Temer receberam menos da metade do valor destinado à base, totalizando R$ 73,2 milhões.
Acusações
O governo começou a usar as emendas como forma de aglutinar a base no Congresso quando as acusações contra Temer passaram a ameaçar seu mandato. Entre janeiro e maio, por exemplo, os mesmos 40 que votaram a favor do governo já haviam recebido cerca de R$ 1,6 milhão em emendas.
Entre os maiores beneficiados pelo governo com esse tipo de recurso estão os deputados Paes Landim (PTB-PI), com R$ 6,7 milhões em emendas, Edio Lopes (PR-RR), com R$ 5,1 milhões, e Abi-Ackel, que teve outros R$ 5,1 milhões em recursos do Orçamento.
As trocas feitas pelo governo na CCJ, antes da votação da denúncia, também ajudam a elevar o valor desembolsado em emendas parlamentares Procurado pela reportagem, o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, diz que não há favorecimento de parlamentares da base na liberação de emendas. Paes Landin e Abi-Ackel negaram que o valor repassado a eles através de emendas tenha a ver com seus votos na comissão. Já o deputado Edio Lopes não foi encontrado para comentar o assunto.
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