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Publicada em 18/08/2017 - 23h19min

Estadão Conteúdo
Lava Jato

Ex-líder de Lula e Dilma é preso

Cândido Vaccarezza é investigado na operação pelo recebimento de US$ 500 mil do esquema na Petrobras

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Ordem de prisão de Vaccarezza partiu do juiz Moro
O ex-deputado Cândido Vaccarezza (ex-PT-SP) foi preso ontem pela Polícia Federal em nova etapa da Lava Jato. O ex-líder dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff na Câmara é investigado pelo recebimento de US$ 500 mil do esquema na Petrobras. Vaccarezza foi preso em São Paulo por ordem do juiz Sérgio Moro.
Ontem foram cumpridas ordens judiciais das fases 43 (Sem Fronteiras) e 44 (Abate) da Lava Jato. As duas etapas da investigação foram deflagradas simultaneamente. Vaccarezza foi alvo da Operação Abate. Segundo o Ministério Público Federal no Paraná, o ex-deputado, líder do PT na Câmara de janeiro de 2010 a março de 2012, usou a "influência decorrente do cargo" em favor da contratação de uma empresa americana pela Petrobras, o que resultou na celebração de 12 contratos, entre 2010 e 2013, no valor de US$ 180 milhões.
A empresa fornecia asfalto para a estatal brasileira e foi citada na delação do ex-diretor da companhia Paulo Roberto Costa "Na divisão das propinas, há documentos indicando seu direcionamento tanto para a 'casa' (funcionários da Petrobras) como para o 'PT'. Os valores devidos ao partido, totalizando cerca de US$ 500 mil, foram destinados em grande parte a Vaccarezza", disse a força-tarefa.
Moro ordenou o bloqueio de R$ 6 milhões de Vaccarezza e de mais seis investigados. O delegado da PF Filipe Hille Pace afirmou ainda que "chamou a atenção a quantidade de dinheiro" que o ex-deputado mantinha em casa - R$ 122 mil - sem justificativa. "Não identificamos o porquê do dinheiro (em casa)", disse o delegado.
Cônsul
Já a Operação Sem Fronteiras apura repasses de estaleiros gregos a executivos da Petrobras em troca de informações privilegiadas e contratos. A investigação teve início após relato do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que fez delação, e envolve o cônsul honorário da Grécia no Brasil, Konstantinos Kotronakis.
Moro proibiu o cônsul de deixar o País. O Ministério Público Federal havia pedido a prisão preventiva de Kotronakis. O juiz, porém, substituiu "as medidas mais drásticas por cautelares alternativas".
O advogado de Vaccarezza, Marcellus Ferreira Pinto, afirmou, em nota, que o ex-deputado "nunca intermediou qualquer tipo de negociação entre empresas privadas e a Petrobras". Segundo o advogado, a prisão foi decretada com base em delações "contraditórias". O PT disse desconhecer a investigação relativa ao ex-filiado.
A defesa de Kotronakis afirmou que o cônsul "está sob cuidados médicos em sua cidade nata e, assim que se recuperar, estará à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos".
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