Editorial
Publicada em 11/09/2017 - 22h28min

Tiago Pantaleon Ignacio

Rumo à Papuda

Com a prisão do dono da JBS, Joesley Batista, e com o provável cancelamento do acordo de delação premiada do grupo J&F com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a partir da entrega de áudios que comprometeram diversos líderes políticos nacionais, incluindo o presidente Michel Temer (PMDB), paira no ar a mais absoluta incerteza sobre os caminhos de todas as investigações que estão em andamento no País por meio do Ministério Público e da Polícia Federal.
Se nem mesmo o conteúdo que o delator mais famoso do Brasil expôs deverá ser considerado dentro em breve, as munições para cercar novos agentes de mal-feitos ficam ainda mais restritas. Pelo menos em tese. Agora preso, há quem acredite que Joesley Batista vá denunciar mais do que havia feito antes, sem blindar ninguém que por ventura havia sido protegido por ele nas primeiras delações.
E ele já está negociando. Quer manter intacta a delação premiada de meses atrás e em troca divulgaria novos áudios que guarda a sete chaves no exterior. O problema é que nem mesmo os seus advogados e aliados mais próximos sabem se esse é um movimento certeiro. Na semana passada, dias antes de depor na PGR, Joesley Batista vazou mais uma leva de gravações, entre elas uma conversa com Ricardo Saud, lobista e diretor de relações institucionais do grupo J&F, que também se entregou e está preso, em que ambos falavam de um plano para manipular procuradores, envolver o Supremo Tribunal Federal (STF) nas delações, afirmações de que não seriam presos e até mesmo prática de adultério.
Foi o que bastou para enfurecer o procurador-geral Rodrigo Janot, até então seu "aliado" e que avalizou as delações iniciais como forma de ampliar as investigações e mirar em mais suspeitos de corrupção. Daí para um pedido de prisão preventiva ao STF foi um pulo, e no domingo o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, atendeu às solicitações e determinou que Joesley Batista e Ricardo Saud fossem detidos. Os dois agora estão em Brasília, sob custódia da Polícia Federal, após se entregarem. Nada mais justo. Joesley Batista quis ser um delator e evidenciar um esquema criminoso que vilipendiava o País, mas também queria sair impune. Pelo jeito não vai ser assim.
Alguém que escancarou sua baixeza e que não se importou em crescer com dinheiro público e em manipular as instituições, a partir de apoio e da negligência das autoridades, já não deveria estar em liberdade há muito tempo. Quais caminhos o Brasil tomará a partir de agora? Quem mais seguirá Joesley Batista rumo à Papuda?
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