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Publicada em 09/09/2017 - 19h11min

Estadão Conteúdo
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Grandes papéis em todas as telas

Foto: Maurício Fidalgo/TV Globo

Marcos Palmeira tem uma longa carreira na TV e no cinema; ele está no ar na supersérie "Os Dias Eram Assim", como o comerciante Toni
Marcos Palmeira está no ar como Toni, de "Os Dias Eram Assim", que termina dia 18, na Globo. Certo? Em termos. Marcos Palmeira está no ar há tanto tempo que se pode escolher a origem dessa história. No cinema, estreou aos cinco anos em "Copacabana Me Engana", de Antônio Carlos Fontoura, em 1968. Serão 50 anos no ano que vem. Na TV, o primeiro grande papel em novela foi o Creonte, de "Mandala", em 1988 - e serão 30 anos em 2018. A estreia na Globo, porém, ocorreu pouco antes - no "Chico Anysio Show", em 1985. Você encontra o registro no YouTube. O jovem Marcos Palmeira na pele de um cabeleireiro gay, contracenando com Painho (Chico Anysio).
Cinema, TV, teatro. Marcos Palmeira tem grandes papéis em todas essas mídias e uma história familiar riquíssima. Filho do produtor e diretor Zelito Viana, sobrinho do lendário Chico Anysio. "Minha casa era o próprio palco de filmagem. Cresci em meio à efervescência do Cinema Novo. Meu pai filmou com o Glauber (Rocha), "Terra em Transe". Depois, estou falando de "Terra dos Índios", de 1978. Há 40 anos... Parou aquela van diante de casa e desceram todos aqueles índios. Era Natal e eles vieram para a nossa comemoração. Grandes lideranças xavantes. Depois, eu fui à aldeia e me acolheram como um deles. Estava no fim da adolescência e a tribo celebrava justamente os ritos de passagem. Foi um choque para mim. De repente, fazia parte daquilo, estava dançando aquelas danças rituais."
O tio - Chico Anysio, irmão de seu pai - achava que ele tinha jeito para a coisa. "Fazíamos muito teatro em casa. Minha irmã, a Betse (de Paula) dirigia, eu era o protagonista. Meu tio via um dom naquilo e dizia para minha mãe que era preciso 'explorar o Marquinhos', mas ela achava que eu tinha de estudar. Não seria o homem, e o cidadão, que sou sem essa formação. Hoje posso dizer - sou ator, mas não só." 
O ator fez filmes que fazem parte da história do cinema brasileiro. A lista é imensa. "Memórias do Cárcere", "A Cor do Seu Destino", "Um Trem para as Estrelas". "Dedé Mamata", de Rodolfo Brandão, de 1987, foi um marco - há 30 anos. E ele não parou mais. "Stelinha", "Carlota Joaquina" - no qual fazia dom Pedro, o 1º -, "Anahy de las Missiones", "O Casamento de Louise", "O Homem Que Desafiou o Diabo", "E Aí, Comeu?", "Vendo ou Alugo"... Ele lembra com carinho de "Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão".

Uma rica trajetória na tevê

Aos 54 anos, Marcos Palmeira fez novelas que enriqueceriam qualquer currículo. "Vale Tudo", "Pantanal", "Irmãos Coragem", "Renascer", "Torre de Babel". Outra lista enorme, até "Velho Chico". Tem muito orgulho do remake de "O Rebu", e de "Os Dias Eram Assim", que está no ar. "Falar desse período da história do Brasil, como a gente está fazendo, é necessário. Fico feliz que o público esteja gostando."
Seus mestres? O tio. "Minha primeira atuação na Globo foi no 'Chico Anysio Show'. Fazia um gay bem afetado. Quando contracenava com o Chico, ele me dava o tom. Veio desse convívio uma forma de entendimento." Ser pai lhe abriu um outro patamar. "Sempre tive a maior dificuldade para chorar. A Júlia liberou meu choro, me tornou mais emotivo, mas acho que, como ator, não posso ser piegas. Tenho de dosar, me controlar." E ele dá sua definição de ator: "É emocionar os outros, mas sem que a gente, necessariamente, se emocione."
Em 2004, fez o documentário "A'uwe", que virou série e depois programa na TV Cultura, com foco na causa indígena. Tem pronta outra série, ainda sem data, no Cine Brasil. "Manual de Sobrevivência para o Século 21". O título já diz tudo. (E.C.)
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