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Publicada em 04/10/2017 - 21h13min

CedricDarwin

Collor

Em 2018 temos eleição para presidente. Temer só quer continuar até o final de seu mandato, o que, pelo menos para ele, já é uma grande coisa. Teremos dezenas de candidatos. A eleição será parecida com a de 1989. Nenhum favorito.
Em 1989 não elegemos Lula, por isso Collor venceu. Esse fenômeno pode se repetir. Mas agora, ao invés de um caçador de marajás, temos um pintor, construtor, jardineiro, gestor, enfim, vários personagens, mas nenhum deles político: João Doria.
Criticado pelo excesso de viagens, de exposição, ele se projetou ao ser o primeiro prefeito da capital paulista eleito no primeiro turno. Seu discurso anti-PT e tudo o que o partido representa foi música aos ouvidos dos paulistanos. Agora precisa cantar uma música que agrade os ouvidos dos brasileiros.
Viu a oportunidade de ser candidato a presidente e não a deixará passar. Viaja o Brasil e procura se credenciar como candidato. Mas a eleição é diferente. O Brasil tem vários países e culturas. Seu discurso agressivo contra Lula não soa bem onde o Luz Para Todos e o Bolsa Família mudaram a vida das pessoas. Nossas realidades regionais são muito distintas.
Doria não tem apelo popular e pode ser visto como alguém distante que não entende a realidade e os anseios de uma população carente e satisfeita com o peixe entregue, sem que lhes ensinem a pescar. Na medida em que sua gestão avança, vemos que Doria parece ter sucumbido à velha política. Em recentes votações na Câmara de São Paulo, pelo menos uma filha de vereadora foi nomeada para ocupar um cargo na municipalidade. Seriam 160 nomeações publicadas no Diário Oficial nos dias das votações mais importantes para o prefeito.
Apenas dizer que é um gestor não será suficiente para alçá-lo ao mais alto cargo desta nação. E caso chegue lá, podemos ter uma reedição de Collor, moderno no discurso mas não na prática. Doria precisa mostrar resultados rápidos de sua gestão, pelo risco de desaparecer o gestor e ficar apenas o político. Neste caso, ele não terá nenhuma vantagem.
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