Editorial
Publicada em 06/10/2017 - 23h45min

Retomada

Um dos melhores termômetros para aferir a economia de um país é verificar como anda o setor automotivo. Essa fatia do mercado representa boa parte da indústria nacional, se ela existir, e no caso do Brasil, que flutua às vezes entre o terceiro e sétimo maior mercado do mundo na produção de veículos, atrás de países como China, Estados Unidos, Alemanha e Japão, ela pode mostrar que, pelo menos na parte econômica, o país está voltando para os trilhos, ou melhor, para as ruas e rodovias.
O último balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), revelou que produção de carros, motos e caminhões no Brasil aumentou 39,1% em setembro, na comparação com mesmo período do ano passado, quando a nação estava mergulhada na crise, tanto política quanto econômica.
Esses números não são isolados, tão pouco representam apenas o que ocorreu em setembro, mas nos meses passados também foram registradas altas no setor, como no mês de julho (11,4%) e maio (33,8%). Se a produção de veículos realmente demonstrar que o Brasil está se ajeitando, será uma ótima notícia para todos, afinal, muito do que é produzido na indústria envolve a cadeia automotiva. Logo, não é somente as vendas que interessam, mas também todo um mercado dependente da produção de veículo que, consequentemente, gera empregos.
Está certo, ainda é cedo para comemorações. Embora tudo possa estar caminhando para uma retomada, o atual cenário político tira o sono dos brasileiros, que podem terminar o dia com um presidente e acordar com outro. Isso também assusta quem pensa em investir em terras tupiniquins.
De qualquer maneira ainda falta um ano para esse cabo de guerra político acabar. Até lá, qualquer projeção otimista pode se mostrar um passo maior do que a perna e tudo ir por água abaixo. Entretanto, perceber que um importante setor da indústria, se não o maior, começa a dar sinais de recuperação, pode ser um indicador de que o final do poço já chegou e agora é hora de refazer o caminho de volta para o topo. É aguardar para ver o que acontece.
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