Editorial
Publicada em 14/11/2017 - 23h15min

Invisíveis

Em um mundo cada vez mais individualista e competitivo, é raro quem perceba algo que esteja além do próprio nariz. Geralmente, é agora, no final do ano, que algumas pessoas despertam para ações solidárias, seja adotando cartinhas dos Correios de crianças pedindo presentes ao Papai Noel, seja colaborando com a doação de brinquedos em campanhas das Prefeituras ou mesmo fazendo uma limpeza no guarda-roupa e doando aquilo que não é mais necessário. Nessa época, também há quem se lembre dos garis e dos carteiros, dando-lhes lembranças ou "caixinhas" de Natal. Enfim, parece que o espírito de solidariedade natalino reacende no coração das pessoas, tão absorvidas pela correria do dia a dia e pelo cotidiano cheio de compromissos.
Entretanto, esses colaboradores ou pessoas "invisíveis" não estão ali, ao nosso redor, somente no findar do ano. Eles estão nas ruas e portas das nossas casas todos os dias, recolhendo o lixo que não tivemos o cuidado de separar ou caminhando quilômetros, debaixo do sol quente e carregando um grande peso nas costas, para entregar correspondências. 
Mas não são somente esses trabalhadores que têm sua importância minorada, muitas vezes. Muita gente costuma ignorar, solenemente, crianças vendendo balas e chicletes nos semáforos (muitas inclusive à noite e que estão, nitidamente, fora das escolas), assim como o crescente número de dependentes químicos, que são, sim, um problema de saúde pública. Afinal, parece menos incômodo fechar os olhos para a falta de cultura e senso do coletivo, do que abri-los e pensar em como nos tornarmos seres mais humanos. 
Recentemente, uma reportagem publicada na Folha de S. Paulo mostrou opiniões de especialistas que afirmaram que, "zombar de atrasados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) mostra falha da educação no país". Trata-se de um assunto para se pensar. Até quando vamos ficar sem dar um simples "bom dia" ao carteiro ou não separar o lixo corretamente? Até quando vamos ficar sem cobrar do Poder Público políticas eficientes para as crianças e dependentes químicos nas ruas? E, principalmente, até quando vamos zombar da desgraça alheia?
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