Opinião
Publicada em 29/12/2017 - 21h10min

Antipolítica

O ano de 2018 ainda não começou, mas boa parte dos moradores do Alto Tietê já sabe que pagará mais para utilizar as duas linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que servem na região. A tarifa irá acrescentar R$ 0,20 ao valor atual cobrado, que é de R$ 3,80 e começará a valer no dia 7. Além disso, quem mora em uma das dez cidades, terá que lidar também com a elevação dos preços do Metrô e do sistema de ônibus da capital, que também subirá para R$ 4. Para quem faz a integração entre trilhos e pneus, a tarifa deverá ficar em R$ 6,95.
O que chama a atenção nesse aumento, além da própria elevação, é como ele foi divulgado. O governo do Estado já havia explicado que a alteração da tarifa iria ocorrer, mas despistou a Imprensa dizendo que ainda não havia um valor fechado. O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), porém, se apressou em confirmar a data e o valor do aumento a um telejornal da capital.
A informação pegou o Palácio dos Bandeirantes de calças curtas. Mais tarde o governador Geraldo Alckmin (PSDB), padrinho político de Doria, confirmou a elevação. Nos bastidores da sede do governo, na zona sul da capital, se comenta que Alckmin ficou irritado com o prefeito por ter vazado a notícia. O governador é praticamente o candidato tucano ao Palácio do Planalto, porém deve ocorrer uma prévia com o senador pelo Ceará, Tasso Jereissati, para deixar algo mais formalizado. Por causa disso, Alckmin prefere dar as notícias, já que geralmente ele atrela uma facada com algum afago.
Esse episódio mostra que Doria não parecer ser um sujeito que está totalmente em sintonia com o partido. Outro tucano, o ex-governador Alberto Goldman, já havia dito que o prefeito é "raivoso, prepotente, arrogante e preconceituoso". Isso sem contar que Doria foi o único político de peso a comemorar a sentença condenatória do ex-presidente Lula, saindo na sacada e dando entrevistas. Precisamos de políticos novos, com um gás diferente e que tome os lugares dos antigos, que ainda possuem uma mentalidade pós-ditadura. Mas, ao que tudo indica, o prefeito de São Paulo não é um desses.
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