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Publicada em 20/12/2017 - 22h21min

Cedric Darwin

Pena eficaz

Ficamos em polvorosa quando um político é encarcerado. É um desagravo à ilegalidade com a coisa pública. A grande maioria dos brasileiros quer muitos deles na cadeia pelos desmandos que cometeram. A segregação da liberdade é medida extrema para afastar do convívio social pessoas que são nocivas à coletividade.
Sabe-se também que ao invés de recuperar, o sistema penitenciário é um centro de formação, tornando pequenos delinquentes em criminosos profissionais e integrantes de organizações. É na cadeia que se associa, cria relacionamentos, aprimora técnicas e aprende como evoluir no mundo do crime.
Mas esse é o pé de chinelo, o pequeno traficante, o ladrão de galinhas, o assaltante de celular, quem arromba residências entre tantos outros. Para a gente graúda, poderosa, empresária, política, rica, a segregação social é apenas um inconveniente com no jogo Banco Imobiliário quando, por azar, cai na casa "vá para a prisão". Lá transformam masmorras fétidas em ambiente civilizado, quase clubes.
O poder econômico transforma a cadeia em um local menos hostil. Refeições vêm de fora, assim como roupas e todos os apetrechos pessoais, não só deles, mas para todos os colegas de cela, tornando o preso rico um benemérito e querido companheiro.
Com os melhores e mais bem pagos advogados criminais, utilizam toda a técnica possível não só para livrá-los das grades, mas para que isso se dê do modo mais rápido possível, empenhando centenas de profissionais em grandes operações jurídicas. É evidente que a liberdade é o bem mais valioso após a vida, mas a verdadeira pena a esses criminosos é a perda do patrimônio amealhado com o crime e a perda do poder utilizado para cometer esses crimes e assim enriquecer.
As grades da prisão só retêm o corpo físico, a fortuna e o poder político permanecem intactos e assim como no jogo de tabuleiro, saindo da curta temporada nas celas volta para seu império construído na ilicitude. Para o rico, a maior pena é tornar-se pobre e para o poderoso, tornar-se servo.
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