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Publicada em 27/12/2017 - 21h06min

Cedric Darwin

Caráter sem partido

Muito se discute sobre a honestidade ou a falta dela, apontando partidos e personagens. Qualquer comentário em rede social, por menor que seja, faz aflorar paixões, com debates que descambam para discussões, tudo por causa de uma opinião. O fato é que a corrupção, a desonestidade e falta de um bom caráter não é exclusividade de uma sigla, um partido ou um movimento social.
Precisamos deixar de nos melindrarmos porque o ladrão apontado é de nossa religião, o corrupto desvendado é filiado ao nosso partido político e o homicida é integrante da torcida de nosso time. Esse corporativismo deve dar lugar ao espírito de caráter, do bom caráter. Devemos repudiar, recriminar e rejeitar as coisas erradas, imorais e incorretas, não importando quem as tenha praticado. Não é porque gostamos ou um dia acreditamos que alguém é bom, que o mal por ele praticado se tornará bem.
A árvore se conhece pelo fruto, uma das verdades reveladas pelo evangelho. Jesus causava furor nos líderes religiosos pois ao invés de recriminar os pecadores, ladrões e adúlteros, os amava e recriminava suas práticas. Era o mesmo que fazia com os próprios religiosos. O fato de conviver e dialogar com pecadores não o tornou um, antes, sua retidão trazia salvação para vidas antes guiadas pelo erro e pecado.
Com os políticos não é diferente, não devemos nutrir ódio pelos corruptos, mas também não devemos apoiá-los e exaltá-los como se fossem heróis apenas porque gostamos deles. Os malfeitos devem ser repudiados, a corrupção, a traição ao mandato e as falcatruas, com todas as cobranças que determina a lei, principalmente com a cassação dos direitos políticos. Devemos odiar os malfeitos mas amar os malfeitores, o que não significa reelegê-los.
Assim, não importa o partido, o que queremos são pessoas de bom caráter, que honrem os mandatos que lhe foram outorgados pelo povo e que ao invés de trabalhar para se manter no poder, enriquecer a si próprios e suas famílias, trabalhem pelo bem comum. Não se justifica o erro de um malfeitor pelo erro de outro.
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