Editorial
Publicada em 07/12/2017 - 21h42min

Impunidade

Com a proximidade das eleições e os nomes que já surgem na disputa pela Presidência da República, começa-se a se pensar em como seria o perfil do candidato ideal, na esperança de que, uma vez eleito, este possa exercer sua função com liberdade, autonomia e independência. Prerrogativas não só para um presidente, como também para deputados federais e estaduais, senadores, vereadores e prefeitos. Que todos possam cumprir seu papel com a dignidade que o cargo exige, e atentos às necessidades e direitos daqueles que representam.
Porém, uma vez violada esta relação de confiança, quando o ocupante de um cargo eletivo é envolvido em casos de propina, como temos visto, entre outros crimes, imunidade não pode ser sinônimo de impunidade. E o medo de ser o preso de amanhã não pode ser base para reverter uma decisão judicial que determina a prisão de um "colega".
Assim foi com o senador Aécio Neves, um dos nomes de destaque nas delações da JBS, e recentemente com deputados estaduais do Rio de Janeiro - Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB -, que tiveram a prisão preventiva decretada, mas a Assembleia Legislativa do Estado decidiu pela soltura dos mesmos. "Desafortunados" os ex-governadores do Rio, Sérgio Cabral, Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, que, sem um cargo eletivo, não tiveram a mesma sorte e estão presos.
Contudo, mesmo a esperança de punição trazida por essas prisões e o prosseguimento da Operação Lava Jato, cai por terra quando deputados absolvem seus "colegas" de casa. A imunidade garantida à esfera federal de poder, alcança alguns Estados com base na legislação e divide opiniões até mesmo entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Neste cenário só aumenta a desconfiança na classe política, naqueles que elegemos, e salvo raras exceções, têm se aproveitado dos cargos para conseguir vantagens que ampliem seu patrimônio pessoal. É preciso mudar, rever a legislação e os conceitos que em nos baseamos para eleger este ou aquele determinado político, será que estamos no caminho certo? A prática mostra que não. 
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