Editorial
Publicada em 21/12/2017 - 21h44min

Confiança abalada

Nada parece surpreender mais no universo da política, afinal, não são poucos os casos de polícia envolvendo nossos representantes. Tinhamos até um deputado federal presidiário, que condenado em regime semiaberto cumpria expediente na Câmara, com todos os benefícios do cargo garantidos, incluindo o auxílio-moradia de R$ 4,2 mil. A situação de Celso Jacob (PMDB), condenado por fraude em processo de licitação quando era prefeito da cidade de Três Rios (RJ), ganhou evidência quando foi pego com queijo na cueca.
Companheiros no Congresso, agora Jacob e Paulo Maluf (PP), de 86 anos, que esta semana se entregou após o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter ordenado o cumprimento imediato de sua pena em regime fechado por lavagem de dinheiro, também estarão juntos no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. E na mesma ala em que ficará o ex-prefeito de São Paulo já estão o empresário e senador cassado Luiz Estevão e Geddel Vieira Lima, famoso pelos R$ 51 milhões apreendidos em seu "bunker". Estas prisões trazem um certo alívio pela punição de quem se aproveita do cargo público que exerce para obter vantagens e aumentar seu patrimônio. A sociedade tem a sensação de que a impunidade está com os dias contados. Rapidamente, porém, outras notícias nos fazem crer que pouca coisa mudou.
Assim como alguns são privados da liberdade, outros são liberados por seus pares, como ocorreu com o senador Aécio Neves (PSDB) e deputados do PMDB do Rio de Janeiro recentemente, ou ainda voltam a circular graças a uma decisão judicial, caso do ex-governador, também do Rio, Anthony Garotinho, acusado de corrupção, organização criminosa e prestação falsa das contas eleitorais, que teve o habeas-corpus concedido pelo ministro do STF Gilmar Mendes. Rosinha Matheus, também ex-governadora do Estado e esposa de Garotinho, já estava em liberdade. E a rotina do prende e solta vai abalando a confiança nas instituições. Não se trata apenas dos políticos que já vêm perdendo credibilidade, mas também o Judiciário, sujeito às mais variadas interpretações. 
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