Editorial
Publicada em 26/12/2017 - 21h47min

Voz à intolerância

Não existe nenhum estudo científico ou pesquisa de campo que indique o nível de intolerância da sociedade, mas existe um fato: estamos cada vez mais inflexíveis e intolerantes. Muitos afirmam que a Internet é uma das causadoras desse mau, mas talvez seja apenas uma ferramenta que escancarou o que já existe.
Usando um exemplo bem brasileiro, até poucos anos atrás, quase todos (principalmente homens) se "fantasiavam" de cartola ou técnico de futebol. Cada um tinha a solução para o problema do time ou da seleção brasileira. Mas, como tudo tem seu lado positivo, os terríveis escândalos envolvendo "nossos" políticos fizeram com que o brasileiro evoluisse, e agora parece que o assunto "Futebol" passou a ser tolo e foi jogado para escanteio, sendo que a nova moda é entender de política. Todos são juízes, advogados e têm as soluções para os verdadeiros problemas do Brasil.
Mas o que tem de mal dar palpites sobre como melhorar o Brasil? Nenhum. O problema é a intolerância. Parece que a evolução por meio de troca de ideias está sendo deixada de lado, embora seja assim que o ser humano cresça: ouvindo opiniões contrárias e aprendendo o que deve ou não ser feito. E é aí que entra, de fato, um dos problemas mais sérios das redes sociais. Enquanto a pessoa acredita que o acesso à informação melhorou, ela não percebe que no fundo está sendo "bombardeada" apenas com informações e ideias semelhantes com as que já compartilha. "Por que "perder tempo" lendo opiniões contrárias se hoje posso escolher o conteúdo que eu quero"?, dizem algumas pessoas. Assim, o que poderia ser o maior benefício trazido pela era da tecnologia - acesso à informação -,
está se transformando em uma bolha de intolerância e ignorância, onde só se escuta e lê o que quer, sem dar espaço para as saudáveis discussões.
Estamos com as ferramentas certas, mas utilizando-as de forma errada. É como o ditado que diz "dar pérolas aos porcos". Pelo visto, a era da tecnologia nos pegou de surpresa. Com tempo e tolerância, chegaremos lá.
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