Cidades
Publicada em 31/01/2018 - 21h30min

Rinaldo Junior*
Informalidade

Comércio ambulante divide opiniões de lojistas em Poá

Lojistas reclamam do crescente número de vendedores informais, mas ressaltam dificuldades dos ambulantes

Foto: Vitoria Mikaelli

Comércio ambulante vem crescendo no centro de Poá
A presença cada vez maior de ambulantes na avenida Nove de Julho, no centro de Poá, divide a opinião dos lojistas da região. Segundo os comerciantes entrevistados ontem pelo Dat, o número de vendedores informais cresceu, o que para alguns comerciantes formais, atrapalha às vendas e ainda prejudica a circulação de consumidores pelas vias do centro. Quem passa pela avenida também percebe a presença de vários ambulantes nas calçadas, que vendem desde produtos alimentícios, roupas, até DVDs piratas de filmes. 
O gerente de uma loja de sapatos, Antônio Vieira, de 50 anos, contou que foi diversas vezes à Prefeitura. "Já fui dez vezes à administração municipal, mas nada resolve. Atrapalha um pouco os meus clientes que não conseguem ver os meus produtos. Mas os ambulantes também têm que ganhar o seu dinheiro", afirmou.
A dificuldade dos ambulantes também foi ressaltada pelo proprietário de uma banca de jornais, Aguinaldo Gerson Gamo, 65: "Com a crise que o país passa, todo mundo precisa ganhar o seu dinheiro. É lógico que precisa ter uma fiscalização da Prefeitura para não ficar uma bagunça, mas é um direito e necessidade dos vendedores ambulantes".
Uma das principais queixas dos lojistas, segundo Gamo, é sobre os vendedores informais que comercializam produtos semelhantes em frente aos estabelecimentos. "A Prefeitura tem que normalizar e arrumar, porque há ambulantes que vendem as mesmas coisas que a loja vende. Mas, particularmente, não atrapalham as vendas da minha banca de jornal", concluiu.
Já para a gerente de uma loja de roupas e sapatos, Ana Paula da Silva Franco, 34, outro problema atrapalha as vendas do comércio. "Na minha loja, os ambulantes não influenciam nas vendas. O que eu percebo que atrapalha são os flanelinhas que ficam em frente à minha loja e cobram dos carros que estacionam aqui perto. Isso espanta os clientes, que além de ter que pagar a Zona Azul, precisam dar alguma gorjeta", contou. (*Texto supervisionado pelo editor)

Prefeitura afirma que recebe várias denúncias

Questionada sobre as queixas dos lojistas ao crescente número de ambulantes, a Prefeitura de Poá afirmou que recebe diversas denúncias sobre o comércio irregular de produtos na área central, alguns até com registros de Boletins de Ocorrência (B

Questionada sobre as queixas dos lojistas ao crescente número de ambulantes, a Prefeitura de Poá afirmou que recebe diversas denúncias sobre o comércio irregular de produtos na área central, alguns até com registros de Boletins de Ocorrência (B.O). Segundo a administração municipal, a princípio é realizada uma orientação, conversando com os vendedores, e se a situação persistir, é feita a notificação, e posteriormente, registrada uma intimação e até a apreensão das mercadorias.
De acordo com o diretor do Departamento de Fiscalização, Wagner Gabanella Fonseca, a apreensão só ocorre em último caso. "Sempre tentamos resolver por meio da conversa, mas, em caso de reincidência, precisamos aplicar a lei. Não temos escolha. É o nosso trabalho" disse.
Ainda de acordo com Fonseca, os ambulantes podem trabalhar fora da região central, com a atuação porta a porta. "Eles insistem em permanecer no centro, e isto é algo que não podemos permitir, já que muitos comerciantes reclamam da concorrência desleal. Em caso de gêneros alimentícios, muitos ambulantes não apresentam as condições sanitárias necessárias para comercializar determinados produtos, oferecendo riscos para quem compra" contou.
Os materiais apreendidos são levados para a sede do Departamento de Fiscalização. Os comerciantes irregulares podem preencher um requerimento solicitando a devolução dos produtos, de acordo com a lei. O processo exige a apresentação de documentos pessoais e da nota fiscal da mercadoria apreendida.
A Prefeitura de Poá ressaltou em nota que "a cidade tem portas abertas para todos aqueles que quiserem montar seu próprio negócio. A Secretaria de Indústria, Comércio, Emprego e Relações do Trabalho está disponível para ajudar a todos com orientações, no caso de Microempreendedor Individual (MEI). Basta apenas procurar a sede da pasta que todas as informações são fornecidas para que o poaense consiga montar seu empreendimento".
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