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Publicada em 16/01/2018 - 21h38min

Raul Rodrigues

Momentos sublimes

Em todo momento sublime paira uma espécie de acontecimento potencializado pelo qual todos nos habilitamos a nos elogiar, isentos de culpas ou falsas modéstias. Passamos então a ser, como tudo o mais à nossa volta: justos e perfeitos! Apesar de todas limitações, e de súbito, justo por causa delas, descobre-se que na sinfonia do universo tudo está onde deveria estar, perfeito. É quando uma profunda conexão com as pessoas nos leva ao desejo de descobrir histórias por trás de diferentes rostos, cientes de que expressões de percursos compartilhados, sem aviso prévio, são capazes de tudo despertar. Semelhanças e diferenças constatadas na proporção em que as cãs da idade deixem de ser sinal de desleixo: quando tudo isso deixa de ser importante.
No momento sublime há a música: de um iPhone ou de meros pensamentos. Ambos: trilha sonora capaz de evocar! Na condição, opto pelo iPhone que, por meio de poderosos fones de ouvidos, ecoa no volume mais alto que minha condição humana é capaz de suportar, afim de silenciar em mim, não apenas ruídos profanos, mas, sobretudo, qualquer diálogo que ousasse ser menor, que o divino estar consigo. De amar e se sentir amado! Desperto: o detalhe do fone torna-me civilizado, e compenetrado ao mesmo tempo.
Sou grato por estar com os amigos de sempre! Meus sentimentos parecem adquirir a mesma perspectiva dos cabelos brancos do avô ou dos óculos evocativos da prestimosa mãe. Sinto-me livre de mim mesmo e dos constantes julgamentos, venham de onde vierem, que me arremessam para uma defensiva, onde qualquer Prozac da vida teima em querer atuar. Respiro reiki para limpar a linfa e dar ao cérebro o oxigênio salvador, sempre antecâmara do momento sublime.
Sem oníricos fones do ouvido, sons triviais lembram o caráter prosaico da vida, da banalidade do cotidiano e da experiência em ser humano, e do fato de estar sentado à mesa de ágape após reunião maçônica, sob o olhar indagador de irmãos que de tudo fazem para que o momento jamais deixe de ser: sublime! 
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