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Publicada em 31/01/2018 - 22h28min

Cedric Darwin

Não roubamos a Petrobras

O mundo todo assiste aos menores preços do petróleo o que, em um mundo civilizado, significa combustíveis mais baratos. A Venezuela, por exemplo, uma ditadura dependente do petróleo praticamente quebrou com a queda do preço do barril aliada à sua política bolivariana e, mesmo assim, continua vendendo a gasolina mais barata do mundo. Mas no Brasil, curiosamente, o preço dos combustíveis sobem toda semana. Já pagamos mais de um dólar por litro de gasolina.
Num país exclusivamente rodoviário é possível imaginar qual o impacto negativo na economia já combalida. Mas não é só a gasolina, o diesel utilizado no transporte rodoviário de cargas e até o gás de cozinha, simplesmente explodiram nos preços. A responsável por isso é a gestão da Petrobras, essa estatal que foi arrombada sistematicamente durante 14 anos. Segurando o preço dos combustíveis de forma artificial para a última reeleição, acabou destruindo as finanças da petroleira estatal e agora, nós, que não roubamos a Petrobras, somos obrigados a pagar a conta.
Embora não seja a gasolina mais cara do mundo em dólares, é importante lembrar que o salário mínimo brasileiro também não passa de US$ 300 dólares. O fato é que a fatura da mentira do combustível barato chegou, mas quem está pagando por isso não é quem mentiu e manipulou artificialmente o preço dos combustíveis, nem quem a indicou, nem sua base de sustentação, nem aqueles que em conjunto arrombaram a Petrobras, mas somos nós. Por isso só cadeia é muito pouco para punir aqueles que destruíram uma empresa pública e se beneficiariam dos rios de dinheiro desviados dessa estatal.
Aliás, estatal no Brasil virou sinônimo de cabide de emprego, ineficiência, ingerência e corrupção. É evidente que o servidor público de carreira que recebe seu parco salário e trabalha de verdade não têm nada a ver com isso e ele é sim parte da solução. Está na hora de repensar a Petrobras.
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