Editorial
Publicada em 30/01/2018 - 22h41min

Mais uma estatística

No ano passado, logo após a morte da turista espanhola Maria Esperanza Jimenez Ruiz, de 67 anos, baleada depois de fazer um passeio turístico pela favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, verificou-se que alguns países europeus propagaram pela Internet avisos sobre os riscos de viajar ao Brasil, mais especificamente ao Rio, considerada uma cidade perigosa.
Que a violência parece ter tomado conta de muitos Estados brasileiros não é novidade. Além da população se sentir receosa em caminhar pelas ruas, a polícia também sente na pele o reflexo das ações criminosas. E não só no Rio de Janeiro, de onde constantemente saem notícias de pessoas feridas ou policiais baleados, seja durante operações ou mesmo em assaltos, como foi o caso da grávida que sobreviveu a um tiro na cabeça durante uma abordagem feita por criminosos.
Em dezembro de 2017 também foram publicadas várias reportagens informando uma estatística assombrosa no Estado paulista. Não bastassem os assassinatos dolosos (intencionais) e latrocínios (roubos seguidos de morte) praticados contra os cidadãos -que registraram, a bem da sociedade, índices mais baixos nos últimos anos (a taxa de homicídios teve queda recorde em 2017; a menor desde 2001) -, foi constatado que a cada cinco dias, em média, um policial é morto em São Paulo. A comparação é  baseada nos dados levantados desde 2001, totalizando 1.147 policiais militares assassinados no estado, o que, segundo publicado no Estadão, equivaleria a dois batalhões da corporação. Vista a atual defasagem de efetivo e a própria estatística, não é pouco. 
Ainda de acordo com o levantamento, a maioria dos PMs mortos (85% deles) não estava em serviço. Só no ano passado, foram 43 policiais alvos da violência em São Paulo e, destes, três foram assassinados fardados. De todo modo, em serviço ou não, é preciso que se perceba que tirar a vida de um agente público das forças de segurança tem o mesmo peso que atentar diretamente contra o Estado. Afinal das contas, não é à toa que a medalha que se confere a essas vítimas se chama Cruz de Sangue.
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