Cidades
Publicada em 07/02/2018 - 22h04min

Fabio Miranda do Amaral

Amadurecimento

O Partido Trabalhista Brasileira (PTB) insiste com o nome da deputada federal Cristiane Brasil para o comando do Ministério do Trabalho. Nesta semana, o líder da legenda na Câmara dos Deputados, Jovair Arantes, informou que o partido vai bater o pé para manter o nome dela, mesmo que ela tenha problema com a Justiça.
Só para relembrar, a deputada é filha do presidente do PTB, Roberto Jefferson, envolvido no escândalo do Mensalão, ainda no governo do presidente Lula, e chegou a ser nomeada ministra no começo do ano, mas teve a posse barrada por ser ré em uma ação trabalhista. Isso sem contar que ela também é investigada por uma suposta associação ao tráfico no Rio de Janeiro.
É claro que essa ação trabalhista já foi divulgada aos quatro ventos e todos já sabem dessa situação. Chega a ser uma tragicomédia ao melhor estilo de William Shakespeare (1564-1616) instalada no Brasil. A capital federal, Brasília, é o maior palco do país.
No entanto isso pode remeter diretamente ao nosso problema com o voto. Muitos se preocupam somente com o Executivo, mas se esquecem que é no Legislativo que ocorrem a maioria das indicações aos cargos, criação, aprovação ou veto de leis, fiscalização aos atos do presidente, governador e prefeito, entre outros atributos. Manter, dentro do Congresso Nacional, pessoas que insistem em indicar outros colegas para cargos de extrema importância, como é o Ministério do Trabalho, é, no mínimo, surreal. Isso não pode ocorrer e deveria, na realidade, ser motivo de vergonha para esses parlamentares.
Nos 21 anos que o regime militar se fez presente no Brasil, entre os anos de 1964 e 1985, o brasileiro teve o direito de escolher seus representantes anulado. Perdermos um tempo importante de amadurecimento político e de poder reconhecer quem realmente merece nossa confiança. Isso sem contar que a maioria dos eleitores não se interessa pela política. Não a partidária, cheia de paixão e alienação, mas a política de verdade, que um dia poderá mudar a vida de nossos cidadãos. Lá se vão 33 anos desde o fim dos anos de chumbo, está na hora de sairmos da escuridão e escolher melhor nosso Parlamento.
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