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Publicada em 20/02/2018 - 22h31min

Raul Rodrigues

Ignorância

Com o país dividido o que se pode esperar? Metade pró, metade contra: quando vão se acertar? Quem é contra, não tem jeito, é contra mesmo, seja pelos motivos bons ou maus. A certeza que se tem é que se vive assolado pela pior tirania: a da ignorância, de prós e de contras. Alguns prós, nem todos, veem os contras como reacionários, elitistas; os contras só veem corrupção nos prós, acomodados e pseudo-socialistas. A mentira campeando solta!
Nem todo pró é corrupto. O argumento que a "corrupção não é nosso privilégio, vocês também têm seus corruptos", por mais que não sirva para justificar a roubalheira, é verdadeiro. Nem todo pró é acomodado ou pseudo-socialista. Bobagem da grossa! Pode-se, como muitos provam, ser pró e o ser com base em pontos positivos, sobretudo na inclusão social. O pseudo-socialismo, iniciativa de quem prega o socialismo para os outros, mas goza a vida como um, quando não, melhor que um: burguês!
Nem todo contra é reacionário. Palavrinha da moda, que repetida à exaustão, parece, "colou". Há algo mais reacionário do que a ditadura do politicamente certo e de minorias? Todo contra, conservador? Conservador é quem quer conservar o que está aí, há 12 anos, e por mais quatro, pelo menos. Por fim, nem todo contra é elitista. Os mesmos 12 anos se prestaram a consolidar uma casta privilegiada de companheiros com cargos de confiança bem remunerados, gente que ascendeu pela política e hoje tira férias mundo afora, come, bebe, e vive bem. São tão elite econômica, quanto quaisquer outras pessoas nestas condições.
As fases mais nefastas dessa tirania da ignorância são a boataria infundada, o preconceito rasteiro, a falta de classe, o "vencer a qualquer custo", o pseudointelectualismo, a pretensão travestida de engajamento, o preconceito social, econômico e racial. Todos partidos, com os prós mais eficientemente que os contras, fomentaram isso no âmago do brasileiro. Só o dia a dia soberano mostrará que talvez mais lágrimas venham a ser derramadas pelas preces atendidas, do que pelas não atendidas! 
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