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Publicada em 24/02/2018 - 20h07min

Mauro Jordão

Sofrimento

Em 1º de novembro de 1755, Lisboa foi devastada por um grande terremoto. Sendo o Dia de Todos os Santos, as igrejas estavam repletas de devotos. O forte abalo sísmico destruiu 30 igrejas, 15 mil pessoas tinham morrido e outras 15 mil estavam morrendo. O filósofo Voltaire quando foi informado da tragédia ficou emocionalmente muito abalado. Em suas cartas havia sempre uma interrogação, por meses, nesses termos: "Como pode alguém agora acreditar na bondade e onipotência de Deus?".
No "Poema Acerca do Desastre de Lisboa", ele expressa seu protesto argumentando que "se Deus é livre, justo e bom, por que sofremos sob o seu governo?". Por um antigo enigma conclui: "Deus ou não é bom ou não é todo poderoso. Ou Ele deseja dar fim ao sofrimento, porém, não pode fazê-lo, ou Ele poderia, mas não quer". Sempre temos pessoas que insistem em que o sofrimento é sem sentido, e não podemos detectar nenhum propósito nele. Os existencialistas acreditam ser sem sentido a vida, o sofrimento e a morte, e portanto, absurdo.
Na década de 1960 eu vi surgir um novo evangelho destituído do sofrimento, movimentos de fé que anunciavam a teologia do triunfalismo, ou seja, Teologia da Prosperidade, em total discordância com a Bíblia Sagrada. O empenho de sua pregação é construir um novo paraíso na terra, em detrimento daquele que Jesus prometeu no céu, dizendo: "Vou preparar-vos lugar porque na casa de meu Pai há muitas moradas" (João 14:2).
Nesses grandes auditórios o povo não amadurece para enfrentar o sofrimento, as pessoas interessadas em bênçãos e milagres ocupam todos os assentos, templos cheios de gente vazia de doutrina. Os pregadores não falam nada de pecado, nem da morte de Cristo que redime o homem pecador do inferno. O testemunho não é de conversão, mas de aquisição de bens e de cura. Como o vento que açoita a árvore deixando-a mais forte para resistir o vendaval, assim também o sofrimento nos dá a fé e a perseverança, indispensáveis para combater e derrotar o mal.
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