Editorial
Publicada em 24/02/2018 - 00h24min

O descaso

O funcionalismo público é hoje um dos trabalhos mais cobiçados, seja pelo fato da própria estabilidade de emprego ou devido aos salários e benefícios pagos - em sua maioria, em dia -, além da possibilidade de se ter um plano de carreira com promoções e demais incentivos. Todos sabem, no entanto, que não é fácil ingressar num serviço estatal, pois devido aos índices de desemprego, as vagas tornam-se a cada concurso mais concorridas. Isso sem falar no fato de que os processos seletivos demandam, muitas vezes, uma preparação extensa, que inclui muitas horas de estudo e até matrículas em cursos especializados para "concurseiros". 
Uma vez superada essa etapa, é hora de assumir a tão almejada vaga. Aí, o que era um sonho pode se tornar um pesadelo, não só para quem conquistou o emprego, mas, também, para aquele beneficiário do serviço que virá a ser atendido pelo servidor concursado. Um exemplo disso ocorreu na semana passada, quando uma unidade do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) da região dispunha de apenas uma funcionária para prestar informações e encaminhar a população para atendimento, em pleno horário de almoço. Na fila, maior parte composta por idosos, também havia mulheres com crianças de colo, porém, não havia atendimento "prioritário", visto que grande parte dos que lá estavam poderiam ser enquadrados como prioridade. Passado o desafio da fila, era a vez dos cidadãos, que contribuíram para a Previdência por anos a fio através do suor e da sua força de trabalho, serem atendidos. Em uma das mesas, a atendente mal olhava para o beneficiário e lhe prestava, de nítida má vontade, uma informação. Enfim, quantas vezes temos visto cenas como essas em várias repartições públicas? 
Está na hora de repensarmos em quanto contribuímos para o crescimento do país e no quão indignos têm sido alguns tratamentos em unidades públicas, especialmente na velhice. E, principalmente, exigirmos qualidade no atendimento e na prestação de serviços públicos, nem que seja preciso denunciar ou utilizar os canais de Ouvidoria para isso. Afinal das contas, nada é de graça.
Compartilhe
Comentários
Comentar

Video

Mais vistos