Editorial
Publicada em 27/02/2018 - 22h19min

Pré-candidato

A visita do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ao Japão, no último domingo, foi vista com surpresa pelos japoneses, pois arrebatou uma multidão de dekasseguis (ou descendentes imigrantes e seus cônjuges) - muitos que moram há anos no arquipélago -, que receberam o político aos gritos de "mito", assim que ele desembarcou na estação de Hamamatsu, uma das cidades que tem a maior concentração de brasileiros. 
O pré-candidato à presidência da República disse à Imprensa ter viajado para países como Japão e Coreia, a fim de conhecer a sistemática educacional e se reunir com o empresariado local. Já em terras nipônicas, segundo falou aos brasileiros, Bolsonaro disse que no Brasil há uma classe política "lamentável". Como não poderia deixar de ser, também fez questão de imprimir seu estilo polêmico e militar ao iniciar o discurso, batendo continência para a bandeira japonesa. 
O Japão, que possui uma forte tradição militarista e que conta, inclusive, com pena de morte para alguns crimes, como os contra a vida, tendo um sistema penal bastante rigoroso, teria, em tese, algumas razões para se identificar com a figura de Bolsonaro. Mas, o que é de se surpreender é que muitos brasileiros estejam deixando pensamentos estritamente liberalistas por outros mais rígidos e com características militares. E isso se aplica também aos brasileiros no Japão, que, de acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2014, seria o país com maior colégio eleitoral brasileiro no Exterior (um contingente estimado na época em mais de 30,5 mil potenciais eleitores).
Apesar de viverem do outro lado do mundo e, muitas vezes, já bem imersos na cultura japonesa, os dekasseguis não ignoram completamente a realidade brasileira. E a insegurança pública, até devido às notícias advindas do Rio de Janeiro e de São Paulo, é velho empecilho nas rodas de conversa da comunidade quando o assunto é um possível e definitivo retorno ao Brasil. Não seria, portanto, de se espantar, caso Bolsonaro tenha uma votação expressiva nos colégios eleitorais brasileiros ao redor do mundo, já que tem sido o pré-candidato que mais tem "batido nessa tecla". É esperar para ver.
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