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Publicada em 17/02/2018 - 20h08min

Estadão Conteúdo
"O Outro Lado do Paraíso"

A espontaneidade de Eliane Giardini

Apesar de praticar a maldade, a divertida Nadia caiu nas graças do público por conta da força interpretativa da atriz

Foto: Divulgação

"A novela tem um cardápio bem variado de temas, mas isso é bom, isso liberta, ajuda todas essas causas. A gente vive um tempo muito complicado, mas todo mundo está debatendo, é um momento importante", garante Eliane Giardini
Nascida em Sorocaba, cidade do interior de São Paulo, a atriz Eliane Giardini tem um bom motivo para comemorar o sucesso de sua personagem na novela das 21 horas, "O Outro Lado do Paraíso", da Globo. Nádia tinha tudo para ser rejeitada pelo público, afinal, tem tudo o que se combate em uma pessoa. É racista, fútil, adora as propinas recebidas pelo marido, Gustavo, trata mal os empregados. Ela reúne todas as 'qualidades' para ser odiada pelo público. Mas não é o que a atriz percebe. "Ela foi aceita e não rejeitada, era um grande risco fazer uma personagem assim, que fala coisas absurdas", afirma.
Com a aceitação, Nádia entra para o rol de vilãs de telenovela que, apesar de praticar a maldade, caem nas graças do público por conta da força interpretativa das atrizes. É o caso de Renata Sorrah, que, em "Senhora do Destino" (2004), construiu uma Nazaré preconceituosa, imoral e violenta. Ou Adriana Esteves como Carminha, em "Avenida Brasil" (2012), mulher inescrupulosa a ponto de tentar enterrar a filha viva.
Com Nádia, o autor Walcyr Carrasco trata de um tema atual: o racismo. "Procuro conscientizar as pessoas daquele racismo que é o mais comum no Brasil, o racismo velado, que não bate, mas ofende e trata o semelhante como um ser inferior", comentou ele, em sua conta no Instagram.
De fato, em "O Outro Lado do Paraíso", Eliane vive com o marido, interpretado por Luis Melo, um juiz nada honesto da cidade de Palmas, que adora quebrar o galho dos amigos e, em troca, recebe malas de dinheiro, além dos filhos Bruno (Caio Paduan) e Diego (Arthur Aguiar). Entre as amigas, estão Sophia Aguiar (Marieta Severo) e Lorena (Sandra Corvelone), que, assim como Nádia, não enxergam nada além do que lhes pode render dividendos. "Essas pessoas não se veem assim porque vivem em uma bolha, entre pessoas iguais", raciocina Eliane. "Vivem fechadas em condomínios, frequentam os mesmos lugares e não enxergam a realidades dos outros."
A novela, que é recheada de personagens de caráter duvidoso, teve um início pesado, com cenas de agressão, mas, em seguida, a trama ficou menos truculenta. É um dos motivos que explicam o aumento do índice de audiência, chegando a bater recorde. "Os personagens refletem os problemas da humanidade", observa Eliane, que tem também cenas mais leves, que acontecem quando está entre quatro paredes com o marido.
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