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Publicada em 07/03/2018 - 22h21min

Cedric Darwin

Trabalhadoras

O Dia Internacional da Mulher foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas em 1977. Mas desde o final do século 19, são as trabalhadoras mulheres exigindo melhores condições de trabalho e se rebelando contra jornadas extenuantes de até 15 horas em fábricas nascidas com a revolução industrial. Foram essas trabalhadoras que, ao longo de décadas, fomentaram esse grito de igualdade, paralisando a produção para que fosse ouvida a sua voz. Foram essas trabalhadoras, oprimidas pelas condições degradantes de trabalho, que deram início a um movimento coletivo feminino que ganhou corpo e adesão ao longo dos anos e se estendeu para além das condições de trabalho, alcançando as condições da mulher, até o reconhecimento público de que sua inserção no mercado de trabalho deve ser tratada com igualdade.
Mas essa igualdade, embora formalmente reconhecida na prática, é virtual. Mulheres continuam recebendo salários mais baixos que homens, não ocupam em paridade cargos de chefia e não tem a mesma força e representação política. As mulheres continuam exercendo dupla jornada de trabalho, uma em suas atividades regulares e outra em casa. Mas sem elas, nada acontece. É necessário que nossa sociedade reconheça, valorize e principalmente proteja a mulher coletivamente. Ainda se tolera o assédio como algo natural, o feminicídio é assustador e é necessário que toda a sociedade não só reprima os agressores, mas, principalmente defenda as vítimas. É necessário criar uma rede social de proteção da mulher, onde não só as autoridades têm o dever de garantir a integridade das mulheres, mas toda a sociedade.
Quem vê o assédio, quem vê a violência tem o dever de comunicar as autoridades e de se indispor direta e imediatamente contra o agressor, testemunhar, relatar o que viu e o que ouviu. Só assim, com a reprovação social, é que homens e mulheres criarão uma rede social não só de proteção, mas de respeito e amor pelas mulheres, essa trabalhadoras, mães, irmãs, tias, avós, esposas e companheiras a quem tanto amamos.
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