Editorial
Publicada em 05/03/2018 - 21h48min

Violência

O grau de violência alcançado pelas brigas envolvendo torcedores impressiona. No último domingo mais uma pessoa morreu, desta vez em Itaquaquecetuba e vítima de um grupo da Torcida Jovem do Santos. O homem atacado seria torcedor do Corinthians, que, neste mesmo dia, empatou com a equipe santista. Além da agressão, o grupo ateou fogo e depredou veículos.
A vítima foi espancada assim como um torcedor do Cruzeiro neste mesmo domingo, em Belo Horizonte (MG), agredido por rivais do Atlético Mineiro com pedaços de pau e chutes. Com mais sorte, o mineiro continua vivo, porém, a barbárie é a mesma nas duas situações. Ele foi encurralado em uma rua e atacado mesmo após já estar no chão.
Em vez de manter uma rixa saudável, com brincadeiras sobre o desempenho dos times adversários, por exemplo, a violência é a linguagem escolhida por estes grupos para se mostrarem 'superiores' aos demais. Infelizmente mais uma forma de intolerância em nossa sociedade, que tem tido pouco respeito por opiniões divergentes, e esta não será a última morte registrada por este motivo.
Os dias de clássicos entre times de grande expressão - Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras -, são dias em que as pessoas pensam duas vezes antes de sair de casa. Mesmo no transporte público, é grande o temor por um possível confronto. A população teme o cidadão que se transforma em criminoso com a camiseta de um determinado time ou de uma torcida organizada. Um problema que se arrasta há anos e que nem uma legislação específica, ou os jogos disputados em outras cidades ou com torcidas únicas têm sido capaz de resolver. E nada vai mudar enquanto os rivais em campo, se virem como inimigos fora dele.
É penoso pensar em como alguém pode se sentir no direito de ferir o outro apenas porque torce para um time diferente, e pior, sair de casa apenas com este intuito. Fatos que afastam as famílias dos estádios, que quando se arriscam a comparecer, preferem jogos contra times de menor expressão. Há um longo caminho pela frente para reverter esta triste realidade. 
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