Editorial
Publicada em 07/03/2018 - 22h21min

Emergente

Não é somente o Brasil que passa por um grave período de crise econômica, outros países também enfrentam o problema. O triste é perceber que, mesmo com uma leve ameaça de melhora, principalmente na geração de emprego, o nosso país nem de longe consegue acompanhar o desenvolvimento das nações ricas. Pior é saber que na América Latina, estamos atrás de quase todos os nossos vizinhos em termos de crescimento, ficamos quase na lanterna nessa tabela de classificação. Nos saimos melhor do que a pobre Venezuela, que enfrenta um dos períodos mais graves de sua economia, e do Equador.
Há uma década, o brasileiro era visto como um povo que vivia em uma das notáveis nações emergentes, porém, a partir do momento em que nos distanciamos cada vez mais dos países desenvolvidos, essa teoria cai por terra, já que nações em crescimento costumam acompanhar ou até ter um desempenho melhor do que as nações mais evoluidas e estruturadas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já projetou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil este ano deve avançar bem menos do que o esperado para toda a América Latina. Isso também pode nos distanciar, inclusive, de nações nem tão desenvolvidas, como Colômbia, Peru e tantas outras. Por isso mesmo o FMI defende reformas estruturais e uma melhora na gestão fiscal - só assim poderemos começar a pensar em voltar aos trilhos.
Em tempos de crise financeira e desemprego em alta, o país todo sofre, mas no caso de mulheres e negros a situação é ainda pior, principalmente em um país como o Brasil, que sofre com o problema crônico de desigualdade de gênero e idade. Em geral, a diferença de participação entre mulheres e homens no mercado de trabalho é de 26%. A desigualdade se expressa também no recorte por idade. A taxa de desemprego entre os jovens deve ficar em 13% em 2018, o triplo da prevista para adultos, que é de 4,3%.
E é nesta situação que nos encaminhamos para mais uma eleição presidencial. Cheios de dúvidas sobre quem merece assumir a cadeira mais importante do Brasil e sem perspectiva aparente de melhora.
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