Opinião
Publicada em 09/06/2018 - 00h02min

Revolta da Vacina

A Secretaria de Saúde de Mogi das Cruzes confirmou que um morador da cidade, de 57 anos, faleceu no último domingo em razão da gripe H1N1. Este caso, conforme noticiado ontem pelo grupo Mogi News, é o primeiro confirmado no Alto Tietê. Ainda está em análise a morte de um bebê, também de Mogi, que teria morrido em consequência dessa doença. Há pela região alguns casos com suspeitas de contágio pela doença que estão sendo analisados.
No caso confirmado, a Secretaria informou que o homem sofria de uma doença crônica e não havia se imunizado. Isso pode evidenciar a despreocupação que parte da população tem, não só a regional, mas de todo o país, quanto às doenças infectocontagiosas. Essa possibilidade encontra respaldo em dados apurados pela reportagem junto às prefeituras, que mostram que a vacinação está aquém do planejado pelas administrações.
Faltando exatamente uma semana para o fim da campanha direcionada para o chamado grupo de risco, as secretarias de Saúde do Alto Tietê revelam que apenas 66,9% da meta para esse público foi cumprida. Ou seja, as pessoas que precisam ser vacinadas devem achar que a vacina não funciona, ou que, utilizando uma das máximas brasileiras, "isso nunca vai acontecer comigo".
Esse talvez não seja o caso da primeira vítima, porém, é o pensamento de parte das pessoas que realmente acreditam que a imunização é inócua, prejudicial, ou que é utilizada pelos governos para diminuir o excedente populacional, em outras palavras, matar.
Dessa maneira, parece que voltamos a 1904, quando o sanitarista brasileiro e diretor-geral da Saúde Pública do Brasil, Oswaldo Cruz (1872-1917), instituiu a campanha obrigatória de vacina contra a varíola. Na época, até por falta de informação, a população se rebelou porque não aceitava que um vírus enfraquecido fosse injetado deliberadamente nas pessoas. Esse episódio ficou conhecido como "Revolta da Vacina"
Atualmente nenhuma ação como essa é mais esperada, entretanto, a forma de pensar é semelhante. E isso porque estamos em 2018, onde a informação está ao alcance de todos.
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