Variedades
Publicada em 30/07/2018 - 18h35min

'Eles Não Usam Black-Tie'

Clássico ganha nova montagem

Foto: Divulgação

Paloma Bernardi e Kiko Pissolato estão no elenco
Desconfie de peças que já nascem com o título pronto. Quando o diretor Zé Renato disse ao jovem autor Gianfrancesco Guarnieri que "O Cruzeiro Lá no Alto" não era um nome muito legal, a trama sobre uma greve por trabalhadores pedia um nome histórico. Há 60 anos estreava, no Teatro de Arena, um dos marcos da dramaturgia nacional chamado "Eles Não Usam Black-Tie", que agora ganha temporada no Teatro Aliança Francesa (rua General Jardim, 185, Vila Buarque, São Paulo) até 16 de setembro. Sessões às sextas-feiras e sábados, às 20h30, e aos domingos, às 19 horas. Os ingressos custam R$ 60 e R$ 30. Mais informações pelo telefone 3572-2379.
Na montagem, o autor descreve a rotina de Tião (Kiko Pissolato), que se recusa a participar de uma greve de operários conduzida por seu pai, Otávio (Adilson Azevedo), um velho sindicalista. A razão do jovem é simples: ele considera a luta utópica demais e não vê solução para os trabalhadores. Além disso, pretende casar com Maria (Paloma Bernardi), que espera um filho. Sua fé na futura família se choca com a urgência da luta do pai. 
A genialidade do autor estava em trazer tipos populares para o centro da conversa, coisa rara na época em que o Teatro Brasileiro de Comédia povoava suas montagens com dramas estrangeiros e figuras bem-vestidas da classe média. O título da peça de Guarnieri então seria uma resposta elegante - e provocadora - ao teatro "burguês" do TBC. A montagem também vislumbrava o surgimento do Cinema Novo no País, que começava a elaborar suas questões para a desigualdade social no Brasil. 
Com dez atores em cena, a montagem de Rosseto retrata os desdobramentos da vida humilde de uma família que mora em uma favela. A agitação trazida pela organização da greve serve como palco para o embate entre o individualismo do jovem e o engajamento político de seu pai. Em certo momento, Tião é posto para fora de casa e o diretor compara a atitude à intolerância praticada nos dias de hoje. 
A estreia da montagem no Aliança Francesa também resgata outras histórias de Guarnieri. Em 1973, o autor estreou "Um Grito Parado no Ar", espetáculo que despistou a censura ao se valer da metalinguagem para discutir a repressão sofrida por um grupo de teatro. Esse recurso poético marcou grande parte das encenações desse período. (E.C.)
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