Opinião
Publicada em 06/08/2018 - 23h11min

Imprensa livre

Governos extremistas - sejam aqueles ligados à ala da direita, que se caracterizam pelo uso da força no exercício do poder; ou os da esquerda, que se utilizam de ações populistas com o intuito de garantir a aprovação das massas - estão sempre preparados para transformar ações suspeitas em fatos polêmicos que lhes tragam dividendos. Notadamente, essas atitudes os colocam na condição de vítima, sensibilizam a população e capitalizam lucros para a própria imagem. Não importa a verdade. Para tanto, em ambos os casos, precisam de um aliado incondicional: a Imprensa.
Exemplo recente aconteceu na Venezuela, no sábado passado, quando o presidente Nicolás Maduro discursava em um evento para comemorar os 81 anos da Guarda Nacional Bolivariana. Em determinado momento há uma explosão em frente ao palanque que assusta as pessoas, inclusive a esposa do mandatário, Cilia Flores. Segundo o saldo divulgado pelo governo, duas pessoas foram presas e seis militares ficaram feridos. A suspeita é que drones sobrevoavam o espaço e estavam carregados com explosivos, sendo abatidos no ar. A notícia que circulou foi rápida e contundente: Maduro sofreu um atentado.
Nessa condição, o episódio, que pode não ter sido exatamente como o divulgado, ganha proporções internacionais. Maduro aproveita o fato e confronta o eterno inimigo, culpando a extrema direita da vizinha Colômbia e o governo norte-americano, citando nominalmente o presidente Donald Trump. A manobra só é possível a partir das restrições impostas à Imprensa no país. Há muito tempo não existe a prática livre do jornalismo na Venezuela e os fatos divulgados estão sempre sob a hipótese de serem maquiados e manipulados.
Com a proximidade das eleições no Brasil, mesmo que a mídia seja, por lei, declarada como independente, há sempre a dúvida sobre sua real intenção. Acostumados com o jogo da troca de gentilezas por benefícios, os veículos de informação muitas vezes se prestam ao desserviço por um punhado de moedas. Na atual conjuntura, se a liberdade política tem avançado, a econômica, infelizmente, deixa a imprensa refém dos poderes estabelecidos.
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