Opinião
Publicada em 08/08/2018 - 23h55min

Paulo Passos

Merecemos?

Tenho dito nesta coluna que o nível daqueles que se candidatarão aos diversos cargos públicos nas próximas eleições é dos mais baixos possíveis.
A todo o momento, confirmando a opinião, a mídia vem estampando frases despropositadas, dita por um ou outro, e que põem em polvorosa os preocupados com o futuro da nação. Na disputa do cargo máximo do Executivo, principalmente, tomam vulto os disparates, lidos, ouvidos, ou presenciados.
O último deles, para mim o mais inquietante, veio da boca de velho representante da caserna, que, por certo, acostumado a se fazer de bravo sem merecer contestações, acha que o palanque admite destempero, e que a opinião pública deve curvar-se a ditatoriais observações.
À falta de quem quisesse com ele seguir, o candidato Bolsonaro teve que apelar ao General da Reserva Hamilton Mourão para ser vice em sua chapa.
Tão logo entronado, o senhor citado discursou em almoço de campanha previamente agendado, lançando conceitos retrógrados e perigosos, próprias da Alemanha nazista.
Ao dizer que a miscigenação brasileira era mesclada da indolência, "que vem da cultura indígena", e da malandragem, "oriunda do africano", deixou, preconceituosamente, sua predileção pelos brancos, a quem elegeu, nas entrelinhas, como "raça pura"!
Paradoxalmente, em risível "tiro no pé", pretendendo minimizar o ataque, proclamou-se indígena, portanto, ao seu critério, "indolente", o que, quero crer, não é o que se pretende para cargo de tal relevância (principalmente quando se tem em conta a projeção que o vice tem alcançado na história recente do país).
Se a abertura da corrida presidencial para o ilustre militar se deu nesse tom, o que não fará se eleito for? É a pergunta que fica no ar!
De qualquer maneira, valendo o episódio como exemplo a não ser seguido - e outros poderiam ser citados -, como eleitor, me sinto desprestigiado pela incapacidade dos que disputam o meu voto.
Merecemos isso?
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