Opinião
Publicada em 08/08/2018 - 23h53min

Grupo forte

Os bastidores políticos mostram que as eleições 2018 serão especialmente peculiares. Os principais candidatos ainda formam suas estratégias para atingir o eleitorado nas propagandas políticas, que terão início no próximo dia 16. Um dos principais objetivos será angariar votos do grupo mais forte de eleitores que temos hoje no Brasil: os que votam nulo e em branco.
Se brancos e nulos fossem um candidato, ele seria competitivo na disputa pelo Palácio do Planalto. De acordo com levantamento do Ibope, da semana passada, juntos os brancos e nulos somam 33% das intenções de voto. O percentual é quase o dobro dos 17% alcançados pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que lidera o levantamento.
Apesar destes votos se tratarem de uma opção para os eleitores que não querem escolher nenhum dos candidatos, nulos e brancos não têm nenhuma influência no processo eleitoral e também não podem cancelar as eleições. Também por isso, todos os pretendentes ao Palácio do Planalto querem uma fatia dessa pizza. Neste caso, vantagem para o PT, partido que terá o maior tempo de televisão para seduzir os eleitores, seguido do MDB e do PSDB. O Partido dos Trabalhadores, que oficializou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Lava Jato, à Presidência da República, certamente irá reforçar sua ação confrontadora e culpar o sistema por "perseguição".
Já o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, já mostrou o tom que sua corrida eleitoral terá, após a convenção feita pelo partido na semana passada, quando fez um discurso repleto de críticas indiretas a Bolsonaro e, claro, ao PT. Além disso, parte do discurso foi semelhante ao usado pela candidata da Rede, Marina Silva, em "unir o Brasil".
Já o líder das pesquisas, Bolsonaro, terá tempo curto de televisão para manter seus bons números, além de tentar angariar parte dos votos dos indecisos. Hoje a vantagem é dele. Mas, no final, o grande favorecido será o candidato que conseguir acender uma brasa de esperança nos 33% dos indecisos.
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