Cidades
Publicada em 12/09/2018 - 22h32min

Nayara Francesco*
Eleições

Material impresso continua indispensável nas campanhas

Tradicionais santinhos e folhetos, apesar do alto custo, mantêm a eficiência, mas mídia digital está crescendo

Foto: Vitoria Mikaelli

Nas ruas, material impresso resiste como forma de atingir o eleitorado mais velho
A ascensão da Internet e a democratização da informação com o meio digital mudaram o cenário das últimas campanhas eleitorais. Seja pela facilidade de atingir um público maior ou pelo custo baixo, os tradicionais santinhos e folhetos dos candidatos seguem em evidência. Segundo o publicitário e professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Fabio Castilho, o impresso mantém sua importância e representa, ainda, credibilidade frente ao eleitorado.
De acordo com o publicitário, o meio digital trouxe um número maior de informações e é muito mais acessível financeiramente. "O impresso tem caído cada vez mais, mas ainda é usado, pois carrega a credibilidade junto aos eleitores", ponderou. O professor explicou que exatamente pelo fato da Internet possuir um grande volume de informações, o eleitor tem dúvidas sobre alguns conteúdos. "Uma das vantagens do impresso é a sua durabilidade, é um material que tem um texto mais elaborado. Já o digital é mais momentâneo, a informação passa pela 'timeline' do eleitor por cinco segundos e em seguida se perde", afirmou Castilho, embora ressalte que a tendência do digital é de crescimento.
Já para o jornalista e cientista político Fernando Antunes, os candidatos mais tradicionais ainda apostam no impresso. "Os candidatos mais antigos ainda não estão habituados à campanha digital. Por outro lado, os novos estão usando mais o digital", classificou. O cientista político ainda frisou que os candidatos mais ambiciosos devem mesclar as duas ferramentas, cruzando a maneira antiga com a nova.
"Na minha visão, as duas têm benefício, mas ainda não chegamos ao ponto de apostar apenas no digital. Se o candidato trabalha com um público mais velho, o impresso terá efeito sobre esse eleitorado. Já para atingir o público jovem, deve-se usar o digital", completou. O jornalista ainda afirmou que, para a população mais idosa e nas regiões periféricas, onde o eleitorado é mais forte, o impresso ainda tem impacto.
Os dois profissionais argumentaram que a queda do material impresso é muito mais por uma questão financeira, do que estratégica. "Existem dois perfis de candidatos: os que possuem alta verba e os novos, que não possuem. Estes, acabam usando muito mais o meio digital para propagar suas ideias", avaliou Antunes.
Já para Castilho, os candidatos que levam vantagem nas campanhas eleitorais são aqueles que, antes mesmo das propagandas começarem, já se mostram ativos nos meios digitais expondo suas ideias e propostas. "Esses que divulgam suas bandeiras deixam claro para o público qual é sua causa e ganham muitos 'multiplicadores de informação', que são pessoas que compram a ideologia desse político e disseminam em suas redes na Internet", finalizou.
* Texto supervisionado pelo editor.

Site do TSE mostra as despesas dos candidatos com publicações

Mesmo com a popularidade dos meio digitais, os impressos ainda são os queridinhos dos políticos quando o assunto é divulgar a candidatura

Mesmo com a popularidade dos meio digitais, os impressos ainda são os queridinhos dos políticos quando o assunto é divulgar a candidatura. No site do Tribunal Superior Eleitoral (divulgacandcontas.tse.jus.br), os eleitores podem consultar todas as despesas dos candidatos aos cargos para presidente, senador, deputados federal e estadual.
De acordo com os dados na página do TSE, o candidato a deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), ex-prefeito de Mogi das Cruzes, gastou com materiais impressos mais de R$ 111 mil, o que corresponde a 63% da despesa de campanha. Já a candidata Juliana Cardoso (PR) gastou
R$ 87,6 mil, o equivalente a 27,4% da concentração de despesas.
No caso dos candidatos a deputado estadual, Marcos Damasio (PR) gastou
R$ 87,7 mil em publicidade por material impresso, 19,7% de suas despesas de campanha. Luiz Carlos Gondim Teixeira (PTB) utilizou R$ 36,6 mil, que condiz com 35% dos gastos, e Claudio Miyake (PSDB) gastou R$ 11 mil (25,9%). (N.F.)
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