Opinião
Publicada em 10/09/2018 - 23h59min

Afonso Pola

O vale tudo

Em 1988, ano da promulgação da Constituição Cidadã, foi também o ano de estreia da novela Vale Tudo. Nosso país apresentava uma economia em crise, profunda desigualdade social, elevado desemprego e muita corrupção. O enredo da novela girava em torno de uma mãe que é passada para trás pela própria filha e o título fazia referência a percepção de muitos em relação ao país.
Mesmo considerando as inúmeras mudanças ocorridas no Brasil nesses 30 anos é fácil constatar que ainda somos um país do vale tudo. E não está só no âmbito da política. Nos negócios privados parece que a ótica não tem sido muito diferente.
Já estamos acostumados a ver estampadas nos jornais notícias sobre empresas que lançam mão de artifícios não muito lícitos para ampliarem seus lucros. A exploração do trabalho infantil ou do trabalho análogo ao escravo, infelizmente não é algo raro.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já teve que definir regras obrigando as operadoras de Internet em banda larga disponibilizar ao consumidor pelo menos 20% da capacidade indicada nos contratos, visto que era prática recorrente a oferta inferior ao referido percentual. Ou seja, recebíamos menos de 20% daquilo que pagávamos.
Em relação aos bancos não é muito diferente. Os juros praticados são acintosos e injustificáveis. Diversos segmentos da sociedade já manifestaram sua indignação em relação a isso. A justificativa que os banqueiros apresentam é o risco da inadimplência. No entanto, quando a inadimplência cai, os juros não caem na mesma proporção.
Estamos diante de uma nova eleição e a situação do país permanece a mesma. Com um ingrediente a mais. Está eleição deverá ser ainda mais polarizada, incluindo cenas de violência como no caso do atentado ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). Não temos muitas notícias de propostas e de candidatos apontando para um projeto de país. Perante tal quadro só me resta manifestar a minha indignação e minha esperança que muitos outros também possam se indignar.
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