Opinião
Publicada em 12/09/2018 - 23h56min

Voo solo

A oficialização do candidato petista Fernando Haddad à Presidência da República o coloca, enfim, na briga direta pelo cargo mais disputado do país. Preso e cumprindo pena de 12 anos por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Lula (PT) foi até onde pôde, mas definitivamente está fora da disputa para a votação do dia 7 de outubro.
Assim, é hora de Haddad partir para seu voo solo e tentar convencer a população de que não está à sombra de Lula. A insistência do mentor do PT para tentar voltar à presidência acabou por atrapalhar Haddad, que até agora, expunha a estratégia de ser a voz de Lula nas ruas. Agora, porém, chegará o momento em que ele terá que se desvencilhar da imagem do ex-presidente, afinal, as possibilidades de Lula parecem ter se esgotado, assim, não será benéfico ao candidato petista deixar sua imagem totalmente vinculada a de um condenado pela Justiça - muito embora, a ligação existe e não pode ser negada.
As últimas pesquisas do Datafolha e Ibope colocam Haddad apenas na quinta posição, com 8% e 9% das intenções de voto, contra os quase 40% que Lula ostentava antes de ser excluído da campanha. Mas nem tudo está perdido, já que Haddad tem por trás toda máquina petista para tentar herdar os votos do ex-presidente. E deverá conseguir sem grandes dificuldades, principalmente porque o tempo de televisão e rádio do PT é o segundo maior, o que é uma arma poderosa, principalmente no Brasil, para angariar um alto número de votos. Outra estratégia clara de Haddad será arrebatar votos de Ciro Gomes (PDT), que só no Nordeste tem quase 30% dos votos do país. Hoje, Ciro está na segunda posição nas pesquisas, mesmo assim, bem atrás do líder Jair Bolsonaro (PSL).
Mas, se por um lado Bolsonaro é líder no primeiro turno, seu alto índice de rejeição em um inevitável segundo turno certamente irá prejudicá-lo e, consequentemente, beneficiar o pestista em uma possível batalha final. Ainda falta muito para cravar quem estará na briga no segundo turno das eleições, mas, Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) parecem estar cada
vez mais distantes.
Compartilhe

Video

Mais vistos