Opinião
Publicada em 09/10/2018 - 23h57min

Abstenções

Levantamento feito pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo apontou que 236 mil eleitores do Alto Tietê não compareceram às urnas no último domingo. Em um universo de 1,14 milhão de votantes, é como se de cada dez pessoas, duas não fossem votar. Em todo o Estado de São Paulo 850 mil eleitores não votaram e em todo Brasil esse número chega aos 30 milhões de pessoas.
Quando os números são apresentados no contexto estadual, o índice de abstenção chega a 21,5%. Já para o todo o país os dados apontam que 20,3% deixaram de votar. Os dados são os maiores já registrados desde a eleição de 1998, quando o nível dos não comparecidos em nível nacional foi de 21,5%.
O que isso pode revelar? Até o momento nada, já que as pessoas podem deixar de votar por vários motivos, no entanto, o fato de a polarização política tomar conta dos debates, sem dar espaços para ideias intermediárias, e muitos terem utilizado o fígado para escolher um novo presidente, pode ter influenciado e desanimado os eleitores mais moderados.
Motivo compreensível, mas como já dizia Platão (428 - 348 a.C), "não há nada de errado em não gostar de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam". O percentual regional, estadual e nacional de abstenções está em um patamar muito parecido. É possível até notar um padrão do eleitorado que preferiu não manifestar apoio a nenhum candidato, mas que talvez pudesse ser suficiente para trazer um maior equilíbrio à disputa.
Com essa quantidade de pessoas que não votaram, candidatos mais moderados como Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), poderiam entrar com mais chances na disputa pelo Palácio do Planalto, isso sem contar a quantidade de nulos e branco que chegou a quase 9%. Considerando esses números, poderíamos estar em um melhor momento de escolha.
Isso já passou. Mais de 30 anos após o fim do regime militar o eleitor brasileiro parece que não amadureceu e preferiu optar pelos extremos ao invés de buscar o diálogo que poderiam unir, ao menos de forma política, o país.
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