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Publicada em 03/11/2018 - 22h12min

Estadão Conteúdo
Mostra de Cinema de São Paulo

noite de homenagens

Evento homenageia "Central do Brasil", produção de Walter Salles que celebra 20 anos; obra traz uma reflexão sobre a construção da ética num país de miseráveis

Foto: Divulgação

Lançado há 20 anos, "Central do Brasil" foi selecionado para o Festival de Berlim de 1998 e ganhou os Ursos de Ouro (melhor filme) e Prata (melhor atriz), indicado para o Oscar de filme estrangeiro e Fernanda, indicada para melhor atriz. Na foto, Fernanda com o ator Vinicius de Oliveira, que interpretou o menino Josué
Fernanda Montenegro esteve na última terça-feira, dia 20 de outubro, em São Paulo, para participar da homenagem que a Mostra prestou aos 20 anos de Central do Brasil. Parece que foi ontem. O longa de Walter Salles foi selecionado para o Festival de Berlim de 1998 e ganhou os Ursos de Ouro (melhor filme) e Prata (melhor atriz). Foi selecionado para o Oscar de filme estrangeiro e Fernanda, indicada para melhor atriz.
Ela avalia a experiência - "Foi como ir numa viagem a Marte. Voltei sem nada, mas aquilo foi um tumulto em minha vida, um terremoto." Sem nada? "Não, voltei com muitas boas recordações. Fiquei ali, naquele mundo do grande cinema, tratada com o maior carinho por Jennifer Jones e por Lauren Bacall, com quem mantive correspondência por um tempo, depois. Jane Fonda, Meryl Streep, Gregory Peck. Convivi durante aqueles dias com todos eles. Foi um sonho para uma pessoa como eu. Sou descendente de imigrantes italianos e portugueses. Cresci no subúrbio do Rio e o cinema sempre fez parte da minha vida. Havia duas salas na vizinhança, a boa e a ruim. E todo fim de semana, no sábado, às vezes no domingo, quando tinha matinê, víamos três filmes, emendando um no outro".
Hollywood! "Aquilo foi uma loucura (o Oscar). Só o fato de ser selecionada já te coloca numa roda-viva. Nunca dei tanta entrevista na minha vida, nunca fui a tantas festas. No final, eles deram o prêmio para uma atriz deles (Gwyneth Paltrow, por "Shakespeare Apaixonado"), mas me trataram com respeito, admiração. Me fizeram sentir como uma rainha." Tudo isso foi surpreendente porque Central do Brasil foi um filme pequeno. "A gente era uma equipe muito reduzida, só o que queria era fazer um bom trabalho. Ninguém esperava aquele sucesso, nem o Walter (Salles, o diretor). E aí o filme virou um evento planetário, vendido para não sei quantos países".
Em setembro, homenageada com um troféu especial no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, Fernanda já teve, num palco do Rio, a chance de reencontrar Vinicius de Oliveira. Recapitulando - em Central do Brasil, Fernanda faz Dora, uma trambiqueira que ganha a vida na estação de onde saem os trens urbanos, no Rio, escrevendo cartas para analfabetos. Dora não envia essas cartas. Engana as pessoas. Mas aí posta-se diante dela o menino Josué. Ele quer encontrar o pai. Pede a Dora que escreva uma carta. Ela termina fazendo mais que isso. Embarca numa viagem de iniciação para o garoto, para ela mesma, que finaliza essa história como uma pessoa melhor.
Josué, o ator que fez o papel, cresceu, virou um homem. Seu encontro com Fernanda, no palco do Palácio das Artes, na Barra, arrancou lágrimas de muita gente. E eles se encontraram de novo no Itaú Augusta. Não apenas a dupla, Fernanda e Vinicius, mas o diretor Walter Salles, também.
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