Cidades
Publicada em 07/11/2018 - 23h12min

Rinaldo Junior*
Impasse

Taxistas lamentam sobre novo projeto que regulariza o Uber

Para os profissionais, concorrência já é desleal e nova proposta apenas irá prejudicar a classe e a população

A aprovação do projeto que regulamenta o transporte de passageiros por meio de aplicativos, como o Uber, anteontem na Câmara de Mogi, não agradou aos taxistas da cidade. O prefeito Marcus Melo (PSDB) informou na manhã de ontem que deverá sancionar a proposta - que ainda não foi encaminhada ao Executivo -, em breve. De acordo com os profissionais dos táxis, o Legislativo não seguiu o acordo com os motoristas. A equipe do Grupo Mogi News esteve ontem no ponto Sete de Setembro e no Largo do Carmo para saber as opiniões desses profissionais.
A Comissão de Justiça e Redação da Câmara foi responsável por propor quatro emendas no projeto inicial da prefeitura e entre as mudanças está a ampliação da idade máxima do veículo para a utilização do serviço, que subiu de cinco para seis anos, além de um prazo de 12 meses para que carros que superarem a margem de idade sejam substituídos.
Outro ponto que foi anulado do projeto enviado pelo Executivo é a obrigatoriedade do transporte por aplicativo ter placas de Mogi. Conforme disse o presidente do Sindicato dos Taxistas de Mogi e Região, Sandro Monfort, o projeto da prefeitura foi completamente ignorado. "A minha decepção e frustração é muito grande porque não escutaram o lado dos taxistas e agora querem aprovar um projeto que não traz segurança para a população", afirmou.
O sindicalista ainda ressaltou que tentou falar com os vereadores, mas não foi escutado. "Ofereci uma emenda do projeto do Executivo que exigia que os taxistas também fossem cadastrados nos transportes por aplicativos, estipulando uma quantidade máxima desses motoristas na cidade. Temos 183 taxistas no município para mais de mil motoristas de aplicativos. Não tem como competir", lamentou.
O taxista José Augusto de Oliveira também não ficou satisfeito com a nova medida. "Hoje em dia está tudo muito competitivo, é muita taxa para pagar, muitos taxistas estão desistindo da profissão em razão disso. A prefeitura deveria olhar a questão da segurança e garantir esse serviço à população", comunicou.
Vai sancionar
Já o prefeito Melo informou que um seminário para discutir a mobilidade urbana será realizado hoje. "Foi feito um estudo técnico para a regulamentação desse aplicativo. Inclusive, amanhã (hoje) teremos o primeiro seminário de mobilidade e um dos temas será o transporte por aplicativo. Creio que em breve iremos sancionar este projeto", prometeu.
*Texto sob supervisão do editor. 
  • Oliveira: 'Taxistas estão desistindo da profissão'.
  • Presidente do Sindicato dos Taxistas diz que projeto da prefeitura foi ignorado

Sindicato quer regulamentação estadual para uso de aplicativo

Entidades que representam motoristas por aplicativos fazem uma avaliação positiva do projeto aprovado anteontem pela Câmara de Mogi das Cruzes, que regulamenta o transporte de passageiros por meio de aplicativos

Entidades que representam motoristas por aplicativos fazem uma avaliação positiva do projeto aprovado anteontem pela Câmara de Mogi das Cruzes, que regulamenta o transporte de passageiros por meio de aplicativos. A estimativa é de que trabalhem na cidade aproximadamente 1.200 profissionais. O Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transporte Terrestre do Estado de São Paulo (Stattesp), porém, reivindica que a regulamentação seja estadual.
O presidente do Stattesp, Leandro da Cruz Medeiros, disse que aguarda a posse do governador João Doria (PSDB) para discutir com o poder público uma proposta para que a decisão não seja municipalizada. "Em São Paulo, por exemplo, a taxa mínima é de oito anos (idade do veículo), o que é fora dos padrões de seis anos de Mogi", destaca. A situação também dificultaria a regulamentação da profissão.
Para ele, os motoristas por aplicativo deveriam ter direitos semelhantes aos dos taxistas, como a ampliação da idade permitida para o veículo, mesmos impostos e facilidades para a compra de um novo veículo. "Hoje, a categoria alcança por volta de 200 mil trabalhadores no Estado e não poderia ser tratada desta maneira", argumenta.
Regional
O presidente da Associação do Alto Tietê de Motoristas por Aplicativo, Giovane Ricardo de Melo, também tem uma avaliação positiva. "O projeto veio do prefeito (Marcus Melo (PSDB)) com alguns problemas e, os vereadores, juntamente com motoristas de aplicativo, criaram emendas. Nós só tivemos uma divergência quanto a idade do veículo, que seria oito e não seis anos", avalia.
A regulamentação, segundo o prefeito Melo, contribui para o reconhecimento da profissão. "O motorista ganhou um respeito que não tinha anteriormente. A regulamentação é boa também para as cidades que vão arrecadar mais e investir em obras de estradas e ruas", destaca.
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