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Publicada em 29/12/2018 - 17h11min

Estadão Conteúdo
Destaque

Revelação do teatro musical

Em 2018, Vitor Rocha, de 21 anos, ganhou os principais prêmios ao se revelar nos palcos

Foto: Divulgação

Criação e atuação no espetáculo "Cargas D'Água - Um Musical de Bolso" o presentearam com vários prêmios, como Bibi Ferreira e Destaque Imprensa Digital; o que surpreende é a sua bem dosada mistura de originalidade com simplicidade
Um balde metálico foi o grande amuleto do ator e dramaturgo Vitor Rocha em 2018. Foi acompanhado desse objeto, seja fisicamente ou mesmo em pensamento, que ele recebeu os principais prêmios de revelação do teatro musical no ano. Nada surpreendente, pois o balde é um importante personagem de "Cargas D'Água - Um Musical de Bolso", que nasceu tímido, com modestas pretensões, mas terminou conquistando plateia e crítica. "Quando se faz um espetáculo 100% independente e autoral, é difícil chegar até o público", comenta ele. "A nossa jornada teria se encerrado após as cinco sessões previstas se não fossem os sites, blogs e canais especializados em teatro musical".
O que torna esse espetáculo tão especial, a ponto de ter conquistado prêmios como Bibi Ferreira e Destaque Imprensa Digital, entre outros, foi sua bem dosada mistura de originalidade com simplicidade. A história se passa no sertão mineiro, onde um menino perde a mãe e é obrigado a viver com o padrasto, um homem egoísta. Despreza o garoto, tratando-o apenas por "moleque", a ponto de o menino se esquecer do próprio nome e responder apenas por Moleque. O consolo, ele encontra em um peixe que, depois de se recusar a matá-lo, torna-se seu principal amigo. 
Vivendo em um balde, o bichinho ganha o nome de Cargas D'Água, expressão que Moleque escuta do padrasto e que imediatamente cai no seu agrado. Carregando o balde pela imensidão do sertão, Moleque quer chegar até o mar, onde finalmente dará a liberdade para o amigo. No caminho, ele encontra personagens peculiares, como o homem que oferece lágrimas em pequenas garrafas - a primeira foi preenchida a partir de seu próprio choro.
Inicialmente, Rocha planejava escrever um monólogo, com apenas Moleque e o balde. "Mas, aos poucos, percebi que a jornada até o mar exigia a presença de outros personagens", conta ele, cuja imensidão do talento contrasta com a pouca idade: 21 anos.  Assim, além do vendedor de lágrimas, Moleque, ao longo de sua jornada, conhece Charles e Pepita, casal que comanda um circo em decadência.
Aceito pelo casal, Moleque ganha uma função artística; mais que isso: finalmente toma o rumo do mar. Com dez músicas compostas por Rocha (que também assina a direção), Cargas D'Água conquista a adesão do público já em seus primeiros minutos, quando sua limitação técnica (cenário reduzido a caixotes, ausência de música ao vivo, figurinos suntuosos) é derrotada pela qualidade graças à imaginação criativa. Ao longo da produção, Rocha se divide em vários papéis.
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