Esportes
Publicada em 05/01/2019 - 19h48min

Nayara Francesco*
Futebol de Amputados

Disputar Mundial de Clubes é a meta do Corinthians/Mogi

Time espera convite da federação responsável pela competição (Waff) para realizar o sonho de jogar fora do país

Foto: Divulgação

Equipe já passou por vários desafios e consegue se renovar ao longo dos anos
O time de futebol para amputados, Corinthians/Mogi, que fechou o ano de 2018 com seis títulos em seis campeonatos disputados, tem agora uma meta mais ousada para 2019: jogar fora do país.
Os planos ainda serão discutidos detalhadamente, mas o objetivo será disputar o Mundial de Clubes, na Itália, previsto para o segundo semestre. 
Os atletas ainda estão aguardando o convite prometido pela World Ampute Football Federation (Waff), que será enviado ao Brasil pela primeira vez.
O artilheiro do time, Rogério Almeida, o Rogerinho - que no ano passado chegou à marca de 500 gols na carreira -, comentou sobre a competição, que já foi disputada outras vezes, mas sem a participação do clube brasileiro. "Já houve esse Mundial em outros países, mas com moldes diferente. Este ano, os organizadores, na Itália, estão criando o campeonato nos moldes da Copa do Mundo Waff", contou o jogador.
A Waff é a responsável pelo futebol para amputados no mundo todo e organiza competições, como Copa do Mundo, Eurocopa, Copa América e Copa das Confederações.
2019
A boa fase do time, segundo Rogerinho, ocorre desde 2015. Muito embora para o artilheiro, 2019 não será diferente, ele ressalta que o elenco deve estar em constante progresso, pois da mesma maneira que o Corinthians/Mogi evolui, as demais equipes também vem se reforçando ao longo das últimas temporadas. 
O calendário oficial dos jogos para o ano ainda não foi divulgado, mas Rogerinho já adiantou que, no primeiro semestre, participarão do Campeonato Paulista, que vai terá início em março ae termina em julho, e da Copa do Brasil. Os locais das competições ainda não foram definidos.
*Texto supervisionado pelo editor.

Projeto já transforma vida de atletas há anos

Uma modalidade que ainda não está no cronograma paralímpico, mas que já transformou a vida de muitas pessoas, é o futebol de amputados

Uma modalidade que ainda não está no cronograma paralímpico, mas que já transformou a vida de muitas pessoas, é o futebol de amputados. Graças a ela, o diagnóstico de câncer nos ossos do zagueiro Wesley Magalhães, 20 anos, não foi impedimento para que ele desse prosseguimento ao sonho de ser jogador de futebol. Ele participou do projeto social Futebol de Amputados, criado em 2009, em Mogi das Cruzes, pelo artilheiro do Corinthians/Mogi e capitão da seleção brasileira, Rogério Almeida, o Rogerinho R9, de 37 anos. 
Wesley foi diagnosticado com osteossarcoma aos 18 anos. "Eu estava jogando pelo EC Eledy, em Promissão, interior de São Paulo, quando machuquei meu joelho", relembrou. "Fui para o hospital e os médicos me diagnosticaram com câncer", completou. O zagueiro passou por cirurgia e quimioterapia. Ele teve que amputar a perna para que o câncer não se espalhasse pelo corpo. "Eu sempre fui apaixonado pelo esporte e, como todo adolescente, sonhava em ser jogador profissional", descreveu.
O camisa 13 desconfiava que não poderia retornar aos gramados. No entanto, após um ano do diagnóstico, uma publicação do Futebol de Amputados em uma rede social fez Magalhães descobrir que ainda poderia realizar seu sonho. "Logo em seguida entrei em contato com o Rogerinho R9 para saber mais sobre o projeto", contou.
O artilheiro R9, que nasceu sem a perna esquerda com diagnóstico de malformação congênita, tem 12 anos de carreira na modalidade e expressou sua vontade em formar um time de amputados na sua cidade natal, no mesmo ano em que foi convocado para representar o Brasil, na Argentina, onde foi campeão da Copa América. "Minha vontade era dar a oportunidade para outras pessoas nas mesmas condições que a minha de poder jogar futebol", comentou R9, idealizador do projeto que recruta jovens amputados para integrar o time profissional Corinthians/Mogi, que conta com 33 jogadores e cinco pessoas na comissão.
O primeiro jogo de Wesley pelo Corinthians/Mogi, foi no campeonato Paulista contra o São Paulo. "Marquei o primeiro gol do jogo, que também foi meu primeiro", relembra. Com apenas seis meses jogando Wesley foi convocado para a seleção brasileira. "Foi tudo muito rápido. Acredito que consegui essa conquista pelo fato de eu já jogar bola antes da amputação", justificou. "Eu só tinha que aprender a manusear as muletas". (N.F.)
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