Opinião
Publicada em 09/01/2019 - 00h15min

Raul Rodrigues

A arte de ser (in)feliz!

Por aqui é só felicidade, vamos ser (in)felizes em Paris? Paris esbate a tristeza com um toque de genialidade imortal. E o amor, pura luxúria, junto a recantos históricos, a ponto de lembrar o que esse amor nos faz, do topo de catedrais quase tocando o Infinito.
Caros: estou cansado de ser feliz, vamos ser (in)felizes em Paris? Lá a tristeza é ímpar! O Sena desfaz qualquer mágoa e as que escapam saem todas bordadas com o sorriso enigmático da Monalisa. Cada mágoa, hoje tão presente, faz-se de esquecida nos recantos da nossa mente e, revive em espasmos com arte, face aos campos e jardins floridos que bordam todo Campo de Marte. Assim, creio que é bom ser triste junto ao Arco do Triunfo de pedra e caminhar por entre luminárias amarelas que se fundem com o negro da noite e da nossa alma. Ah! Paris, quem não te quer, inscreva-se no PT, e chame o Lula, mensaleiros a tiracolo, para somar!
Como é, vamos ou não vamos, ser infelizes em Paris? Lá a alegria tatua a pele. Marca, ecoa e permanece, de tão sadia, assusta! O sol brilha de forma diferente pelas suas nacaradas ruas. Para que a Vida seja Arte, só Paris! E se esparrama em telas e cores, sob um sem-fim de formas e desejos. Insiste em residir nas vestes, nas pinturas, teatros, cafés.
Se somos felizes aqui, por entre o ódio e a sujeira, entre a ignorância e a corrupção, porque não ser infeliz lá, onde o céu de tímido azul mira-se no rio que corre calmo, espelhando milhares de encantados olhos? Se é para sermos infelizes, antes lá. Lá, em Paris! Se não se pode decidir quando se dará o fadado encontro fortuito com a felicidade, se não se pode apressar o momento em que a dor atenua e esbate e desaparece, se não se pode arrancar um sorriso vindo dos confins da alma, se somos tão impotentes, possamos ao menos ser tristes noutro lugar: e a eleita será sempre Paris! Lá a tristeza ressoa sob a maré de sábia penúria. Artistas cheios de mágoas dizem-se amargurados com leve sorriso nos lábios. Anime-se: vamos! Sigamos passo a passo, tristes, rumo à Cidade-Luz. Se é para ser triste, que o sejamos em Paris!
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