Opinião
Publicada em 11/01/2019 - 00h45min

Bate cabeça

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), ascendeu ao poder com uma retórica sobre os problemas que a esquerda trouxe para o país nos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ele assumiu, sem o menor problema, que era o candidato antipetista e que mudaria tudo aquilo que foi feito pelo partido da estrela, ao menos no que se refere à corrupção. Sobre programas sociais do PT ainda é cedo falar, mas o social liberal parece estar disposto a fazer alterações.
Bolsonaro terá, pelo menos, quatro anos de governo para conseguir colocar em prática tudo aquilo que disse durante a campanha, mas chama a atenção que em dez dias como chefe de Estado de um dos maiores países do mundo, seu governo esteja batendo cabeça. Nem mesmo seus ministros conseguem chegar a um acordo sobre as mudanças que estão sendo feitas.
Talvez, a que tenha mais chamado atenção nos últimos dias seja a das alterações nos livros didáticos. Uma das mudanças seria a supressão do índice bibliográfico, parte da publicação que atesta, ou pelo menos ajuda, a confirmar a veracidade das informações contidas nos livros. Sem isso, fica complicado saber de onde determinada informação foi retirada. Isso ocorreu anteontem, mas no mesmo dia a medida foi revogada.
A permissão e depois a revogação da instalação de uma base do exército americano no Brasil e alterações na idade para a aposentadoria também ganharam notoriedade nos últimos dias. Enquanto ocorre esse vai e vem de desencontros, o Brasil não anda e se atenta a temas pequenos, como "menina veste rosa e menino veste azul", ou que boa parte do que os governos passados fizeram tem como base um viés ideológico.
Fato é que Bolsonaro tem que se mexer se quiser mostrar alguma coisa. Mesmo que tenha capital político para gastar, atitudes impensadas e desastradas vão mitigar o apoio que deve receber de parte do Congresso Nacional e da população. A blindagem das urnas pode funcionar por um tempo, mas manter uma eterna campanha eleitoral na cadeira de presidente pode transformar essa administração em um tremendo fiasco.
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