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Publicada em 16/03/2019 - 00h22min

Estadão Conteúdo
perto do fim

Acusados pelo homicídio de Marielle viram réus

Justiça decretou o bloqueio de bens do PM reformado Ronnie Lessa e do ex-PM Élcio Queiroz

Foto: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO

Ato em favor da ex-vereadora em frente à Alesp, em dia de posse dos deputados
A Justiça decretou o bloqueio de bens do PM reformado Ronnie Lessa e do ex-PM Élcio Queiroz, acusados da execução da vereadora Marielle Franco (PSOL). O pedido foi feito pelo Ministério Público depois que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou um depósito de R$ 100 mil na conta de Lessa em outubro, sete meses depois do crime.
O objetivo do pedido de bloqueio, segundo explicou o Ministério Público do Rio, é garantir recursos para que as famílias das vítimas possam ser indenizadas por danos morais e materiais. O relatório do Coaf cita ainda bens materiais de Lessa, como uma lancha, um veículo blindado avaliado em cerca de R$150 mil e uma casa no condomínio Vivendas da Barra, na zona oeste carioca - o mesmo em que o presidente Jair Bolsonaro tem casa. Para a Promotoria, os bens são incompatíveis com a renda de um PM reformado.
O advogado de Lessa, Fernando Santana, afirmou que não teve acesso às informações do relatório. "Também não falei com ele (Lessa) ainda", afirmou ontem. "O dinheiro pode ser uma doação, a venda de algo."
Nos interrogatórios, os dois acusados usaram o direito de permanecer em silêncio diante das perguntas e só devem se manifestar em juízo.
Os dois saíram da Delegacia de Homicídio do Rio às 17h47 e foram conduzidos para o presídio de Bangu 1, no complexo penitenciário de Gericinó, também na zona oeste carioca.
Eles vão permanecer em Bangu 1 até que o Departamento Penitenciário Nacional defina para qual presídio federal eles serão transferidos, conforme a Justiça determinou.
Segundo o juiz Gustavo Kalil, do 4.º Tribunal do Júri do Rio, a transferência dos dois a uma cadeira federal é necessária "para a garantia da segurança pública do Estado, evitando-se o cometimento de novos delitos e garantindo-se a paz social, vez que os acusados teriam, como argumentou o Ministério Público, ligações com suposta organização miliciana composta por policiais militares da ativa".

Relembre o caso
Marielle Franco foi assassinada com quatro tiros na cabeça e seu motorista Anderson Gomes, atingido por três balas. Eles estavam saindo de um evento político-cultural, no bairro de Estácio, no centro do Rio de Janeiro, quando foram mortos, em 14 de março deste ano.
Câmeras de segurança flagraram os carros e os suspeitos.
Marielle era formada em sociologia, feminista, negra e da comunidade da Maré, no Rio, e defendia estas três causas. Foi assessora do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) por dez anos. Elegeu-se em 2016 como a quinta vereadora mais votada do Rio.
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