Cidades
Publicada em 14/03/2019 - 03h49min

Thamires Marcelino*
Saúde mental

'Pais precisam estar próximos dos adolescentes', afirma psicóloga

O massacre que ocorreu na manhã de ontem, na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, deve ter sido causado por algum desvio de comportamento que impulsionou os dois jovens a cometerem os oito assassinatos, além dos 11 feridos

Foto: Divulgação

Para Josineide, juventude é complicada, e pais têm que se esforçar para acompanhar amadurecimento dos filhos
O massacre que ocorreu na manhã de ontem, na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, deve ter sido causado por algum desvio de comportamento que impulsionou os dois jovens a cometerem os oito assassinatos, além dos 11 feridos. Os pais e famílias que possuem filhos adolescentes precisam estar atentos aos comportamentos dos mesmos. Esta é a opinião da psicóloga pós-graduada em Psicologia Familiar Sistêmica, Josineide Nascimento, de 47 anos.
"Na fase da adolescência, é comum que as famílias se mantenham distantes dos jovens, porque neste período eles enfrentam muitas mudanças hormonais, dificultando ainda mais a proximidade dos familiares. No entanto, é imprescindível que os parentes promovam conversas e discussões com eles, mesmo que seja uma tarefa difícil", aconselhou.
Segundo ela, é preciso estar atento também aos sinais de agressividade, dificuldade em fazer amizades e manter relacionamentos, oscilações constantes de humor e o excesso ou falta de apetite. Genericamente, é comum que casos como o do massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, sejam associados a traumas adquiridos, como bullying, ou qualquer outro fator que possa acarretar em isolamento social, característica esta quase sempre ligada a pessoas que praticam crimes bárbaros. A psicóloga afirma, no entanto, que atos como esses nem sempre estão relacionados a traumas de infância ou adolescência. "É necessário considerar problemas como a esquizofrenia, a psicopatia ou a psicose. A tendência é que pessoas que sofram com o bullying se automutilem ou entrem em depressão, mas, a nível de cometer assassinatos como este, não. Em casos assim, faz-se necessário estudos para descoberta de distúrbios mentais", esclareceu.
Josilene enfatizou, ainda, que as famílias precisam ter pulso firme para manter um bom relacionamento com os adolescentes e, em caso de percepção dos sintomas citados acima, ou qualquer comportamento estranho, é importante que sejam encaminhados a algum profissional para um diagnóstico e, caso necessário, que iniciem o tratamento por meio de medicamento ou terapia.
Videogame
Um dos atiradores, Guilherme Monteiro, de 17 anos, utilizava uma mascará similar ao do jogo Call Of Duty: Ghosts, famoso game de tiros, ao invadir a escola antes do massacre. Especula-se que jogos como esse podem motivar a prática de atos  violentos, afirmação que foi tratada com cuidado pela profissional entrevistada. "Não podemos, de maneira alguma, relacionar esses atos de violência com a prática de jogos on-line. Eles apenas podem ser agentes motivadores para quem já tem algum distúrbio que aflora a violência. Portanto, as pessoas matam em razão de problemas psicóticos que já possuem, e não por influência de um jogo de videogame ou computador", explicou a psicóloga.
*Texto supervisionado pelo editor.
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