Cidades
Publicada em 14/03/2019 - 03h48min

Lílian Pereira
Sem precedentes

Em dia de fúria, atiradores matam oito e ferem outras 11 pessoas

Atentado ocorreu na Escola Estadual Raul Brasil, no bairro Jardim Imperador; agressores também morreram e as primeiras informações apontam que um deles atirou no comparsa e depois se matou em caso comoveu o país

Suzano foi cenário, ontem, de uma das maiores tragédias que aconteceram no Alto Tietê: o massacre na Escola Estadual Raul Brasil, localizada no bairro Jardim Imperador, deixou mortos e feridos após dois ex-alunos, o adolescente Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos e Luiz Henrique de Castro, 25, entrarem na instituição e atirar contra estudantes e funcionários. De acordo com a confirmação do governo do Estado de São Paulo, cinco alunos foram mortos, são eles Caio Oliveira, 17; Claiton Antônio Ribeiro, 17; Douglas Murilo Celestino, 16; Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 e Samuel Melquiades Silva Oliveira, 16. Além deles, duas funcionárias também foram executadas, a coordenadora Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 e Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38. A dupla de atiradores, antes de chegar à escola, também assassinou o dono de uma locadora de veículos, que é tio do adolescente, Jorge Antônio de Moraes, 51.
Após dispararem em série, um deles atirou no comparsa e, depois, cometeu suicídio. Ambos estavam portando pistolas calibre 38, carregador de munição, besta -uma espécie de arco e flecha- e um machado. Era por volta de 9h30 quando tudo começou, os alunos estavam em intervalo. Toda a ação durou cerca de 15 minutos.
O clima em frente à escola foi de muita tristeza e medo, principalmente pelos estudantes que presenciaram a cena e estiveram em busca de notícias dos colegas. "Eu estava na biblioteca quando escutei os barulhos e aí trancamos a porta. Ficamos lá até que tivéssemos a certeza que estava seguro para sair, abaixados no chão para não acontecer nada, foram muitos disparos e cheguei a ver um dos atiradores", disse a estudante Sabrina Alves, 17. Logo que o crime aconteceu, ela ligou para o pai, o prensista Custódio José Alves, 52. Emocionado, ele esperava por notícias de vítimas. "Minha filha me ligou e eu vim correndo para cá, não tenho palavras para dizer a emoção que sinto, não aconteceu nada com ela, mas sentimos pelos outros", contou.
Outra testemunha do crime foi o estudante Levi Alves, 14, que se escondeu junto com colegas aos fundos da escola. Ele presenciou o momento que amigos foram atingidos pelos disparos. "Logo que tudo começou nós corremos para se esconder, eu vi um amigo baleado na perna, um outro que a bala passou de raspão no braço, foi horrível", lembrou.
Já o pedreiro José dos Santos, 59, que mora em frente à escola, ressaltou que nunca imaginou presenciar um massacre tão de perto. "Sempre escuto o barulho das crianças e quando fiquei sabendo desse crime eu vim para cá correndo, é algo que ninguém acredita, pode ser algo espiritual que as crianças não têm nada a ver com isso".
Curiosos e familiares de estudantes da escola também estavam no local aguardando informações. Uma delas, a dona de casa Mayara Nikaido, 17, procurava por uma prima. "Eu acordei e fiquei sabendo do que aconteceu e corri para a escola, moro aqui perto e estou atrás de uma prima minha, não tenho informações sobre ela", disse. Um grupo de professores da instituição também aguardavam por informações. Para a reportagem, afirmaram que o momento é de muita tristeza, algo que nunca imaginaram.
Site hackeado
Por volta das 16h30, o site da Prefeitura de Suzano havia sido hackeado. Na página virtual era possível encontrar a seguinte mensagem de um grupo intitulado "Red Eye Crew" : "Um governo fascista faz de seu povo seu espelho. Política de armamento da população vai gerar cenas lamentáveis como a que vimos hoje aqui em Suzano. Infelizmente colocamos um louco à frente de nossa noção...". No final da tarde o site foi retirado do ar. 
  • Marilena Ferreira 59 anos
  • Kaio Lucas 15 anos
  • Eliana Regina 38 anos
  • Douglas Murilo 16 anos
  • Caio Oliveira 17 anos
  • Claiton Antônio Ribeiro 17 anos
  • Samuel Melquíades 16 anos

'Um dos dias mais tristes', afirmou Doria em Suzano

Comovido com os assassinatos que ocorreram ontem na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, o governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB) esteve no local ainda pela manhã

Comovido com os assassinatos que ocorreram ontem na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, o governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB) esteve no local ainda pela manhã. Para ele, o cenário que presenciou foi considerado "um dos dias mais tristes" da vida. "Antes de tudo, nossa solidariedade aos pais e familiares dos alunos, aos familiares das funcionárias das escolas e aos pais e familiares dos homicidas. Foi a cena mais triste que já vi em minha vida e fico muito triste que um fato desse ocorra em nosso país", disse.
Possíveis artefatos explosivos foram encontrados na escola, mas descartados pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). O comandante geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o coronel Marcelo Vieira Salles, explicou durante coletivo de Imprensa a ação dos atiradores. "Antes de entrarem na escola eles atiraram contra o proprietário de um lava-rápido e ao entrarem na escola atiraram na coordenadora pedagógica, em outra funcionária e os alunos tentaram se esconder. Depois da ação, eles se suicidaram no corredor da escola". Após um levantamento mais apurado, a reportagem foi informado que um dos agressores atirou no outro e depois se matou. (L.P.)
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