Cidades
Publicada em 19/03/2019 - 23h04min

Lílian Pereira

Adolescente é apreendido como mentor intelectual junto com atirador

Foto: Felipe Raul/Estadão Conteúdo

Jovem de 17 anos é levado ao IML de Suzano pouco após a apreensão feita ontem
A Polícia Civil apontou o menor de 17 anos, apreendido ontem, como mentor intelectual das mortes na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, ocorrido na quarta-feira da semana passada, junto com um dos atiradores, Guilherme Taucci Monteiro, 17, que cometeu suicidou logo após o crime. Na ocasião, oito pessoas foram mortas. Outros suspeitos que apresentarem indícios de participação no crime também serão ouvidos.
As informações foram reveladas ontem durante coletiva de Imprensa na Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes pelo delegado titular de Suzano, Alexandre Henrique Augusto Dias e pelo promotor de Justiça, Rafael Ribeiro do Val. O menor foi apreendido e ficará em uma unidade da Fundação Casa por 45 dias, após o período, novas providências serão tomadas.
Na semana passada, o adolescente já havia sido ouvido pelo Ministério Público (MP), mas na ocasião foi liberado. "Gostaria de deixar claro que o MP está acompanhando passo a passo das investigações e quanto ao pedido de apreensão não confirmada, foi a necessidade de se aguardar novas provas", explicou. Outro fato que a Polícia Civil investiga é o por quê do adolescente não ter participado das ações junto com Monteiro e Luiz Henrique de Castro, 25, além da origem da arma calibre 38 usada por Monteiro no dia do crime.
Para o delegado de Suzano, indícios como a aquisição de objetos levam a crer que o adolescente seria o articulador intelectual do atentado. "As provas revelam que ele seria um mentor intelectual, pois ele comprou objetos que poderiam fazer com que participasse do crime, só não sabemos o motivo para não ter participado", contou. 
Uma das conversas do adolescente que a reportagem teve acesso revela que, no dia 18 de outubro de 2018, o menor conversou com uma pessoa, ainda desconhecida, sobre o plano dele de realizar um ataque na escola. "Iríamos entrar como se nada tivesse acontecido e esperar até o intervalo, aí 9h35 meus amigos do lado de fora iriam entrar como quem não quer nada. Depois, eu e o Taucci iríamos um para cada lado, com facas eu ia executar e ele o povão lá do meio do pátio. Quando a multidão se tocasse os amigos de fora iriam abrir fogo".
Ainda na mesma conversa, a pessoa desconhecida revela um plano de explodir a Prefeitura de Suzano. "Eu ia usar isso em um plano que eu tinha pra explodir a prefeitura. Na verdade para derrubar. Umas quatro cargas em cada pilar ia destruir a sustentação", disse. Já em conversas do dia que ocorreu os ataques, o menor apreendido ontem chegou a dizer que não havia participado das ações. "Eu não. É uma coisa que eu faria mesmo, porém minha irmã tava lá. Morreu oito pessoas. Espero que não tenham assassinado ninguém que 'nóis' gosta", disse.
Investigação
O promotor de Justiça, Rafael Ribeiro do Val, informou que pessoas que estão exaltando o crime na internet serão responsabilizadas pelo ato, já que "a exaltação de um crime de forma pública é crime".
 

Menor foi detido em casa pelos agentes

O menor de idade estava em casa no momento da apreensão e foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Suzano para passar por um exame de corpo de delito

O menor de idade estava em casa no momento da apreensão e foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Suzano para passar por um exame de corpo de delito. Depois do exame, o jovem foi encaminhado para o fórum da cidade.
Na quinta-feira passada, o adolescente já havia se apresentado à Justiça porque já era considerado suspeito, porém, após negar envolvimento com o crime, ele foi liberado. Durante a investigação, os celulares dele e dos dois atiradores, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique Castro, de 25, foram analisados e foi encontrado, pela polícia, conversas dos três sobre o planejamento do crime.
O adolescente ficará internado provisoriamente durante 45 dias, em uma unidade da Fundação Casa, a qual não foi divulgada por medidas de segurança. Se o prazo se encerrar e não houver sentença judicial que determine a internação definitiva, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) vai estabelecer a liberação do menor. Do contrário, se ele receber a sentença definitiva, o prazo é de no máximo três anos de internação.
*Texto supervisionado pelo editor. 
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