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Publicada em 09/03/2019 - 18h03min

Estadão Conteúdo
Cinema

"Marighella" é o espelho do Brasil

Wagner Moura humaniza um personagem que ainda é pouco conhecido dos brasileiros, o revolucionário Carlos Marighella

Foto: Divulgação

"Marighella" ainda não tem data para chegar ao Brasil, as empresas Downtown e Paris Filmes acham que o momento não é adequado, mas Wagner e as produtoras Bel Belinky e Andrea Barata Ribeiro, da 02 Filmes, acham que é totalmente oportuno
Wagner Moura tem ouvido os maiores elogios por sua coragem, seu esforço. Um jornalista de Israel chegou a dizer que, se "Marighella" estivesse na competição para valer, não teria para ninguém. Urso de Ouro! Foi difícil chegar até aqui, mas o aplauso caloroso do público na sessão oficial do filme durante o Festival de Berlim foi um reconhecimento. Embora sem chance de ser premiado, ele espera que as críticas favoráveis ajudem a alavancar logo o lançamento no Brasil.
"Marighella" ainda não tem data. As empresas Downtown e Paris Filmes - produtora e distribuidora - acham que o momento não é adequado, mas Wagner e as produtoras Bel Belinky e Andrea Barata Ribeiro, da 02 Filmes, acham que é oportuno.Ele sabe que vai tomar porrada. "Minha vida ficou complicada. Sofro todo tipo de ataque. Sei que o lançamento não vai ser fácil, mas é o espelho do Brasil. Não quis fazer um filme de mocinhos e bandidos. Mas 'Marighella' sempre me fascinou porque evoca um Brasil resistente, que não se sujeita. Sempre gostei de História (a grande). O País fundamenta-se na desigualdade e existem todas essas histórias de combate, de resistência. No momento em que se fala que não houve ditadura no Brasil, mas um 'movimento', fiz o filme, conscientemente, para mostrar, sim, que 1964 instalou uma ditadura, e foi brutal".
Ele sabe que terá muita gente contra, mas espera ter também a favor. Mesmo de uma perspectiva de esquerda, tomando partido, sabe que não fez um filme hagiográfico. Não era a intenção. "'Marighella' faz coisas que podem ser contestadas, mas me fascinou essa possibilidade de humanizar um personagem que ainda é pouco conhecido dos brasileiros". Revolucionário, amante, pai - Marighella tem muitas caras no filme de Wagner Moura. É multidimensional. Seu Jorge, que faz o papel, nutriu-se de suas experiências na quebrada de Belfort Roxo, onde se criou, no Rio. Ele não era a primeira opção de Wagner, e assumiu em cima da hora. Teve pouco tempo de preparação - um mês. Ainda bem que conhecia a preparadora de elenco Fátima Toledo, que o submeteu a um duro processo.
Bruno Gagliasso, que faz seu antagonista, o policial Lúcio, inspirado no torturador Fleury, conta de outro ângulo o que foi essa preparação. "Tenho uma filha negra, e por isso não acreditava que conseguisse fazer. As coisas horríveis que digo para Seu Jorge (Marighella). Mas era preciso, e fiz com amor. Fiz pela minha filha, pelo futuro dela, que espero que seja melhor".
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