Cidades
Publicada em 15/05/2019 - 22h20min

Thamires Marcelino *
Movimento nacional

Protesto a favor da Educação paralisa 23 escolas em Mogi

Manifestantes pedem melhorias no ensino público e reclamam do corte de 30% no orçamento das universidades

Mogi das Cruzes contabilizou 23 escolas que tiveram suas atividades totalmente paralisadas em razão da greve geral de ontem, em protesto por melhorias no ensino público, contra a reforma da Previdência e também contra o corte de 30% no orçamento que foi anunciado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, no dia 6 de maio.
Professores de 58 escolas estaduais da cidade aderiram à manifestação de ontem com números parciais de profissionais em cada instituição. O ato de protesto aconteceu no Largo do Rosário, às 10 horas. Viaturas da Polícia Militar fizeram vistorias pelo local e, até o momento final de apuração da reportagem, não houve nenhum caso de violência.
Para a coordenadora da subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) de Mogi, Inês Paz, as escolas estão em situação precária. "As más condições do ensino público atingem os professores, que ficam doentes constantemente em razão da exaustão do trabalho, e os alunos, que se prejudicam ao estudar em salas superlotadas", afirmou.
Uma das docentes de escola estadual de Mogi falou sobre a importância de ir até o local da manifestação, mas ela não quis se identificar. "É fundamental que as pessoas contrárias às medidas que ferem a Educação venham até aqui para demonstrar a sua insatisfação. É preciso deixar de ficar apenas reclamando sentados no sofá", pontuou.
Fábio Rodrigues, de 45 anos, ministra aulas de Matemática e disse que nenhum motivo é menos relevante. "Todas razões da greve são grandes, não há nenhum que podemos intitular como o mais ou menos importante. Antes do governo Bolsonaro, nós recebiamos verbas federais para manutenção da instituição, porém, na atual gestão não recebemos mais", lamentou.
O professor de História, Cícero Gomes, 45, falou como orienta seus alunos em épocas de manifestações. "Eu sempre explico o porquê de faltar por aderir à paralisação, principalmente porque tudo isso também é por eles. É para que o futuro deles não seja prejudicado", explicou.
O estudante João de Oliveira, 16, havia faltado na aula e aproveitou para assistir o protesto antes de retornar ao curso. "Embora eu nunca tenha sido favorável ao Bolsonaro, esperava que ele fizesse as coisas que propôs antes de ser candidato. Ele está nos oferecendo armas e tirando os livros, o que só piora a educação do país", resumiu a sua insatisfação.
* Texto supervisionado pelo editor.
  • João lamenta a situação da Educação no país
  • Gomes alerta para o futuro dos estudantes
  • Rodrigues reclama da falta de verbas federais
  • Largo do Rosário esteve ocupado por grupos de professores na manhã de ontem

Unidades na região aderem ao movimento

Os professores estaduais do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), de Suzano, se reuniram na Praça dos Expedicionários, ontem, às 9 horas, para participar dos protestos marcados para o país inteiro

Os professores estaduais do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), de Suzano, se reuniram na Praça dos Expedicionários, ontem, às 9 horas, para participar dos protestos marcados para o país inteiro. Em seguida, com apoio de estudantes e da população, fizeram uma passeata pela região central da cidade.
Em Biritiba Mirim, as três escolas estaduais da cidade registraram 70%, 45% e 30% de paralisação. No município de Guararema, 60% das atividades nas seis escolas foram interrompidas. Já em Itaquaquecetuba, a associação de professores afirmou que 90% das instituições estaduais e 40% da rede municipal aderiram ao movimento. Em Suzano, a adesão estimada foi de 80%.
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