Opinião
Publicada em 18/05/2019 - 22h02min

ELizeu Silva

Contingenciamento

A essa altura, todo mundo parece já ter percebido que o contingenciamento no orçamento das universidades e institutos federais, bem como nos investimentos no ensino básico, anunciado pelo ministro da Educação, não passa de eufemismo barato que deve ser entendido pelo que é: corte puro e simples. Sim, porque quando o valor contingenciado voltar a ficar disponível para as instituições, se voltar, algumas delas provavelmente já terão deixado de existir.
A partir desse ponto assumimos o contingenciamento como corte. Dois fatos recentes, quando considerados em perspectiva, lançam luz sobre a decisão do ministro, tomada com apoio do presidente na notória live dos chocolates.
1) A publicação na quinta-feira da V Pesquisa de Perfil Socioeconômico dos Estudantes das Universidades Federais, realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), revela que 51,2% dos estudantes de graduação em universidades federais são negros, boa parte oriunda de famílias cuja renda não passa de um salário mínimo e meio. A pesquisa também revela que a presença de indígenas e quilombolas mais que dobrou desde 2014, ano da edição anterior da pesquisa. Também é possível saber, através da pesquisa, que 64,7% desses estudantes são provenientes de escolas públicas.
2) No dia 15, enquanto perto de um milhão de pessoas marchavam nas cidades contra o corte na Educação, a feira de negócios Bett Educar, em São Paulo, dedicada aos negócios da educação, despertou 50% mais interesse dos investidores que nos anos anteriores. No mesmo dia, a empresa Kroton Educacional, a maior do setor, dona de marcas como Anhanguera e Pitágoras, anunciou investimentos da ordem de R$ 240 milhões na expansão da rede.
O corte no orçamento revela que o compromisso de Bolsonaro e do ministro não é com a universidade pública, gratuita e acessível, mas com os grupos empresariais.
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