Editorial
Publicada em 04/05/2019 - 23h01min

Sueller Costa

Cultura de paz

Num momento em que se busca a cultura de paz nas escolas, outros personagens, além dos alunos, merecem atenção. Isso porque eles ficam ofuscados, sem liberdade para se expressar, e, muitas vezes, se defender. Estamos falando dos professores, cuja profissão deveria ser a mais valorizada, afinal, é por meio dela que outros profissionais são formados. Com o dom de ensinar, esse público encara as salas de aula do Brasil afora, e, nos últimos tempos, se não bastassem as ameaças com relação às mensagens que devem propagar, a ideologia que semeiam, os pensamentos que disseminam, outro ponto tem desafiado esses profissionais: a agressão no espaço educativo.
O último levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), elaborado com dados colhidos em 2013, aponta que o Brasil lidera o ranking de violência nas escolas. Na ocasião, mais de 100 mil professores e diretores de escola dos ensinos Fundamental II e Médio (alunos de 11 a 16 anos) foram entrevistados. Há educadores atingidos com lixeiras, carteiras escolares, socos e pontapés. E, em casos mais severos, alguns chegam a ter até o carro incendiado.
Especialistas apontam dois motivos para a agressividade. De um lado, está a violência que existe na própria sociedade, que perpassa os muros escolares. E, por outro, a desconexão entre o aluno e a escola. Quando o estudante não se interessa pelo o que está aprendendo, por não ver efetividade do conteúdo em seu cotidiano, pode haver uma tensão. Outros conflitos ocorrem quando a relação entre alunos e professores passa a ser sob ameaças, ou seja, quando uma nota baixa, uma crítica, uma advertência pode gerar um desconforto no jovem.
O fato é que toda agressão geralmente parte de uma série de frustrações que explodem dentro da escola. Portanto, devemos olhar não só para os nossos jovens, que, desde cedo, carregam conflitos internos e externos; mas também para os educadores, aqueles que assumem, também, a função de psicólogos, e, ainda, adotam o papel de um "pai" ou "mãe" ausentes a muitos alunos abalados pela desestruturação familiar.
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